Por ROBERTO VIEIRA
Acredite se quiser.
A Portuguesa de Desportos chegou em Pernambuco no dia 7 de janeiro de 1946.
Desembarcou às 14:30h.
No avião de prefixo PP-YPA da Aviação Aérea Santos Dumont.
No antigo aeroporto do Ibura.
Recebidos com festa pela grande colônia portuguesa.
Agradeceram, pegaram uns carros de aluguel.
Uma hora depois de chegarem no aeroporto seus jogadores enfrentam o Sport.
Surpreendentemente, em campo, Manuelzinho, Zago e Pitota foram incapazes de deter o talento do eleven lusitano.
Resultado?
4 x 2 para a Portuguesa com direito a show de arbitragem do paulista João Etzel.
Etzel, legenda em Pernambuco.
Juiz do famoso Pernambuco 9 x 1 Bahia pelo antigo brasileiro de seleções.
Após a pugna, bacalhau e vinho do Porto. E cama.
Quatro dias depois, prélio noturno.
A Portuguesa enfrenta o América de Leça.
Leça, lenda do arco em Pernambuco e na Bahia. Verso de Gilberto Gil.
O América é uma parada mais dífícil.
Mas a Portuguesa demonstra insuspeitado poder de reação.
O primeiro tempo termina 2 x 0 para o time de Leça e Djalma.
Fatura ganha?
Que nada!
Os lusos reagem na segunda fase e deixam tudo igual: 2 x 2.
A imprensa pernambucana vai a loucura. O Santa Cruz é a bola de vez.
Mas a bola da vez falha.
Mesmo com o reforço do médio-asa Arnaldo do Moinho Recife. O tricolor perde por 2 x 1.
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Resta o Náutico. Campeão pernambucano de 1945.
Náutico que havia oferecido durante a semana um coquetel aos visitantes.
Neto Campelo recepcionando os lusos.
Coquetel que marcou a posse do presidente Aroldo da Fonseca Lima e do vice-presidente José Romangueira.
Náutico consciente que não bastava a técnica para bater o quadro bandeirante.
Era necessária a garra, a vontade de vencer.
O jogo?
Uma batalha.
A Portuguesa abriu o marcador aos 2' do primeiro tempo.
Achou que podia fazer as malas.
Mas o Timbu inicia um bombardeio na área lusa.
Aos 6' Plínio centra, Sabino escora para Djalma que encontra Genival de costas para o gol.
Antes que a bola fuja ao seu controle, Genival acerta um sem-pulo no ângulo de Caxambu: 1 x 1.
O Náutico segue atacando. Edvaldo serve a Baby que toca para Luiz: 2 x 1.
Djalma sofre pênalti quando estava de frente para o gol da Portuguesa. Edvaldo bate: 3 x 1.
Termina o primeiro tempo.
No segundo tempo, a torcida que estava dividida, torna-se toda alvirrubra.
Mas a Lusa diminui: 3 x 2. Silêncio.
Genival recebe falta que Etzel ignora. Vaia.
Quando o jogo começava a se complicar, Plínio acerta a trave.
A pelota retorna para Genival que decreta o quarto gol do Náutico: 4 x 2.
A batalha?
Garcia acerta o goleiro Zeca.
Lorico chuta Djalma no chão.
Plínio entra pra quebrar em Hélio.
O árbitro perde o controle da partida.
O campeão pernambucano vence a invicta Portuguesa.
Na escalação Zeca; Saleitão e Célio; Sabino, Telesca e Edvaldo; Plínio, Genival, Djalma, Baby e Luiz.
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Mas a Portuguesa levou mais que lembranças de vitórias e batalhas de Pernambuco.
No avião que partiu do Ibura, viajava Simão contratado ao Sport.
Simão que pouco depois chegou à seleção brasileira.
Imaginem se a Portuguesa levasse Baby, Djalma e Genival?
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