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30 de novembro de 1937. 7:00 horas. Após brigas e confusões em terras baianas, o São Paulo chega ao Recife a bordo do navio Ararangua. O chefe da delegação Edmundo Toledo encaminha seus jogadores ao Hotel Avenida.
Em Recife só se fala da chegada dos paulistanos e da sensacional pugna noturna contra o Náutico dois dias depois.
Vinte dias antes o Estado Novo de Getúlio Vargas mostrara ao que veio com o lançamento da nova Constituição: A Polaca. Polaca porque era baseada na constituição polonesa e também por ser a denominação das moças de vida fácil do cais do porto.
2 de dezembro de 1937. Estádio da Praça da Jaqueira. 21:15.
O Clube Náutico forma com Osíris; Pilombeta e Salsinha; Ramon, Edson e Taurino; Zezé, Arthur (Wilson), Neruercindo, Estácio e Celso. No genial ataque a ausência do grande Fernando Carvalheira, substituído por Neruercindo.
O São Paulo alinha King; Aníbal e Bruno; Felipelli, Acosta e Xaxá; Ministrinho, Douglas, Milani, Carioca e Junqueirinha.
Pois é, naquele tempo Acosta jogava no São Paulo!
Era a despedida da temporada para os alvirrubros.
O jogo começa e Arthur ameaça a meta são-paulina, mas Bruno despacha mandando a corner. Logo depois Milani e Junqueirinha combinam para uma grande defesa de Osíris. Então Celso é lançado em profundidade e desperdiça chutando por cima.
Na seqüência Arthur chuta e o arqueiro King defende firme. O lance se repete na meta alvirrubra e Carioca chuta no ângulo para nova defesa do arqueiro alvirrubro.
32’. Estácio encontra Celso desmarcado. Celso caminha para a linha de fundo, quando todos esperam o cruzamento ele ergue os olhos e observa King saindo para cobrir o lançamento. Numa fração de segundo ele chuta com efeito, rente ao poste: 1x0!
King tenta explicar o que aconteceu, entretanto tem de buscar a bola no fundo das redes.
O Náutico avança querendo o segundo gol. Edson e Estácio tabelam. Aníbal dá um chutão. Celso bate um escanteio e Arthur sobe mais alto que toda a defesa e cabeceia tirando tinta da trave.
Segundo tempo. Junqueirinha dribla dois defensores do Náutico e chuta. Não acredita quando vê a pelota nos braços de Osíris. O jogo fica lá e cá até que Neruercindo encontra uma brecha e Aníbal salva com as travas da chuteira.
Quase no final da pugna Wilson repete a jogada e é derrubado por Bruno. Pênalti.
O próprio Wilson pega o couro e chuta. Para fora. O que seria o segundo gol da vitória alvirrubra. E daí. O que importa é a vitória, suada, difícil, vitória.
Perto da meia-noite a torcida alvirrubra faz a festa. E tome salsaparrilha.
No dia seguinte, lendo os jornais (foto), o Esporte, o Santa Cruz e o Tramways dizem que ganhar do São Paulo é fácil.
Os timbus de férias ficam observando os demais jogos do tricolor paulista em solo pernambucano.
E não podem deixar de rir da cara dos adversários:
Em 5 de dezembro o Tramways perde por 3x0.
Em 8 de dezembro o Esporte não quer ficar atrás e cai por 4x1.
No dia 12 de dezembro o Santa Cruz perde em grande estilo 3x1.
1937. Um dezembro para ficar na memória. Um final de ano vermelho e branco!
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