
O indivíduo morre. Vira santo. Triste verdade.
Assisti dois episódios da vida de Frei Damião.
Uma chegada triunfal em Timbaúba quando estava trabalhando no hospital da cidade.
Tive a honra de lhe apertar a mão.
Anos antes, tinha visto o religioso em Mandacaru numa noite de domingo.
Pregando.
Multidões de sertanejos pela noite escura. Pela estrada sem lua.
Chegando aos borbotões de todos os lados.
Infinitos. Esquecidos pelas altas esferas.
Procurando um naco do paraíso aqui na terra.
Jamais pude esquecer Mandacaru.
A legião dos herdeiros de Canudos insepultos ressuscitados.
O mundo ignorando a missa em noite de céu encoberto.
As vozes em um mantra medieval... Pai Nosso!
Frei Damião foi silenciado em vida. Ortodoxo.
Rezando em latim, proibido de casar e batizar. Relegado ao singelo local das almas ditas incorrigíveis.
Em 1975, o Concílio Vaticano buscava conduzi-lo ao ostracismo.
Poucos recordam, o capuchinho foi cassado nos anos de chumbo. Pela Madre Igreja.
Entretanto , o povo humilde o elegeu seu representante. Simples e democraticamente.
Até que a morte os separou em corpo.
Quem foi que disse que a voz do povo não é a voz de... você sabe quem?
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