
Por ROBERTO VIEIRA
O Boca Juniors será o primeiro clube do mundo a ter um hotel temático.
Boca Juniors que já tem um museu.
Antigamente as pessoas viajavam para ouvir Gardel.
Hoje, os torcedores anseiam por um autógrafo de Maradona, uma camisa de Mastrangelo.
Os responsáveis pelo hotel do Boca fizeram proposta semelhante a CBF:
Um hotel temático da Seleção Brasileira.
A CBF ficou de estudar o assunto.
Caso venhamos a ter o tal hotel temático, vale a pena se hospedar na suíte Mané Garrincha.
Elza Soares no som ambiente. As fotografias dos seus marcadores esparramados pelo chão.
Ou quem sabe a suíte 1950.
Trágica, silenciosa, inquietante. Digna dos masoquistas de plantão.
Na ala norte, a suíte Doutor Sócrates. Suíte política, repleta de manifestos e calcanhares.
Na ala oeste, a suíte Leônidas. Para os que não vivem sem chocolate e bicicletas.
Na ala sul, a suíte Falcão. Luxuosamente decorada com mármore de Carrara.
Na ala leste, a suíte Felipão. Bombachas e chimarrão
A suíte 1994 repousaria no centro. Pragmática, tecnológica, lógica. Cheia de parafernálias cibernéticas.
E animação não ia faltar no dancing 2006. Azaração até o amanhecer.
Mas a suíte presidencial teria que ser a 1970.
Na porta, a cópia da Jules Rimet. Nas imagens holográficas, os dribles de Pelé. As arrancadas de Jairzinho.
Como pentacampeões mundiais, apenas nosso hotel do futebol seria cinco estrelas.
Sucesso garantido?
Nem tanto. Existe a maçante questão gerencial. Todo hotel tem de dar lucro.
E o número de políticos solicitando boca livre será incomparavelmente maior que o número de quartos no hotel.
As obras como sempre serão superfaturadas.
E a conta?
A conta quem paga sempre é o torcedor...

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