9 de set. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Lentamente, em um processo inexorável, eles começaram a desaparecer.

Não foi assim de repente. A morte era precedida de uma série de lutos, espasmos de reanimação, até o declínio final.

A fuga dos patrocinadores.

A migração da torcida.

O último e arcaico torcedor de bandeira em punho sendo entrevistado pelas rádios.

Auto Esporte, Remo, Santa Cruz, Galícia, América-MG, Guarani, Bangu, Olaria, Alecrim, Nacional, Comercial, CSA...

Cidades onde se gritava gol diariamente, hoje gritam shopping center ou mãos ao alto!

Crianças que batiam bola nas várzeas, nas praias, nas esquinas, hoje cheiram cola e driblam gangues.

Outras hipnotizadas nos play stations.

Os últimos da espécie, jogam futebol nas telas de TV, nos pay per view da vida.

Não houve uma era glacial.

Não houve um terremoto.

Não houve um meteoro.

Apenas a politicagem e o populismo se deram as mãos pelos clubes do país.

Apenas a concentração de renda se fez definitiva nos bastidores do esporte mais popular do Brasil.

O único reduto democrático que Pindorama forjou.

Primeiro foram os mais fracos, darwinianamente.

Depois os clubes dos estados de menor PIB.

Até que chegou a vez dos dos pequenos dinossauros radicais. Os redutos apaixonados até a morte.

Quando o expurgo estava completo, houve champagne na sede do Clube dos Treze Terríveis Répteis.

Espocar de fogos.

Esqueceram que a evolução não é uma ferramenta na mão dos animais.

E os tiranossauros se deram conta que acabara a comida.

Mas era tarde demais.

O Beagle zarpara para uma nova Galápagos.



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