
Por ROBERTO VIEIRA
O Brasil era um saco de pancadas. Um Íbis no futebol.
Um bando de aristocratas de narina de defunto correndo nos clubes de campo.
Até que surgiu Macunaíma.
Craque sem caráter, preguiçoso e genial.
Macunaíma que inventou a bicicleta, a tabelinha, o drible da vaca e o gol de placa.
Tudo sob o olhar embasbacado da Paulicéia Desvairada.
De um Brasil que se dizia europeu, mas era amazônico, antropofágico.
Macunaíma que foi descoberto pelo olheiro Mário de Andrade nas peladas na Rua Aurora.
Peladas de triste lembrança.
Um dia, o irmão mais novo, Renato, joga bola na rua. Uma bolada atinge em cheio a cabeça de Renato que morre.
Há uma gota de sangue em cada poema, em cada jogo de futebol.
Mário chora. Não consegue mais tocar o piano. Mário se refugia nos livros, nas palavras.
Mas as palavras no Brasil são como o futebol: Estrangeiras.
E Mário proclama o modernismo. A viagem da descoberta do Brasil.
O drible de corpo.
O passado no Brasil passa a ser lição para se meditar, não para se repetir.
Começa a semana do futebol-arte moderno em solo tupiniquim.
Macunaíma-Leônidas. Macunaíma-Pelé. Macunaíma-Garrincha. Macunaíma-Didi.
Todos realizando o Brasil de Mário de Andrade.
Brasil que transgride o WM do bom burguês.
Há 115 anos nascia Mário de Andrade.
Há 115 anos nascia Macunaíma.
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