
Por ROBERTO VIEIRA
O Mundão do Arruda hoje está cabisbaixo. Mais que nos outros dias.
Leu que no Engenhão, o Brasil vai enfrentar a Bolívia.
Seu concreto coberto de musgo lembra um passado distante. E não pode deixar de sentir uma ponta de inveja.
29 de agosto de 1993.
15 anos atrás.
O mesmo Brasil x Bolívia.
Domingo de sol em Recife. Um domingo de sol sem praia.
Porque todo mundo decidiu comprar ingresso para assistir a seleção de Parreira jogar.
Seleção que vinha cambaleante pelas Eliminatórias. Seleção do capitão Dunga.
Durante a semana, o presidente Itamar Franco meteu o bedelho na seleção.
E o comedido Parreira perdeu as estribeiras com Itamar.
(A história sempre se repete...)
Ricardo Rocha deu a idéia para que os jogadores se dessem as mãos. E lá se foram Taffarel, Jorginho, Raí e Bebeto de mãos dadas entrando em campo.
Em um Mundão do Arruda que nunca mais se viu tão lotado. Tão bem tratado.
Até pintura nova ele ganhou.
É difícil transmitir a mágica daquela tarde de domingo.
O Brasil era tricampeão mundial, mas não vencia nada digno de nota desde 1970.
O país estava triste. Os amigos imigravam para engraxarem sapato nos States.
Como num passe de mágica, as bolas foram entrando.
Uma, duas, três, quatro, cinco vezes no primeiro tempo.
A Bolívia que assustava na altitude tinha medo do mar.
No segundo tempo, mais um gol: 6 x 0!
O Brasil voltava a ser o Brasil. A Bolívia era Bolívia novamente.
Um ano depois, Ayrton Senna morreu numa manhã de domingo.
Um ano depois, a seleção tetracampeã decide pousar em Recife no dia seguinte ao título nos EUA.
E Recife pára novamente.
Parece que foi ontem. O dia em que o Recife parou.
O Mundão do Arruda, esquecido na chuva que cai nesta quarta-feira deserta, sonha com o passado.
E silenciosamente, continua torcendo pelo Brasil.

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