10 de set. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

O Mundão do Arruda hoje está cabisbaixo. Mais que nos outros dias.

Leu que no Engenhão, o Brasil vai enfrentar a Bolívia.

Seu concreto coberto de musgo lembra um passado distante. E não pode deixar de sentir uma ponta de inveja.

29 de agosto de 1993.

15 anos atrás.

O mesmo Brasil x Bolívia.

Domingo de sol em Recife. Um domingo de sol sem praia.

Porque todo mundo decidiu comprar ingresso para assistir a seleção de Parreira jogar.

Seleção que vinha cambaleante pelas Eliminatórias. Seleção do capitão Dunga.

Durante a semana, o presidente Itamar Franco meteu o bedelho na seleção.

E o comedido Parreira perdeu as estribeiras com Itamar.

(A história sempre se repete...)

Ricardo Rocha deu a idéia para que os jogadores se dessem as mãos. E lá se foram Taffarel, Jorginho, Raí e Bebeto de mãos dadas entrando em campo.

Em um Mundão do Arruda que nunca mais se viu tão lotado. Tão bem tratado.

Até pintura nova ele ganhou.

É difícil transmitir a mágica daquela tarde de domingo.

O Brasil era tricampeão mundial, mas não vencia nada digno de nota desde 1970.

O país estava triste. Os amigos imigravam para engraxarem sapato nos States.

Como num passe de mágica, as bolas foram entrando.

Uma, duas, três, quatro, cinco vezes no primeiro tempo.

A Bolívia que assustava na altitude tinha medo do mar.

No segundo tempo, mais um gol: 6 x 0!

O Brasil voltava a ser o Brasil. A Bolívia era Bolívia novamente.

Um ano depois, Ayrton Senna morreu numa manhã de domingo.

Um ano depois, a seleção tetracampeã decide pousar em Recife no dia seguinte ao título nos EUA.

E Recife pára novamente.

Parece que foi ontem. O dia em que o Recife parou.

O Mundão do Arruda, esquecido na chuva que cai nesta quarta-feira deserta, sonha com o passado.

E silenciosamente, continua torcendo pelo Brasil.





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