Por ROBERTO VIEIRA
O caso eu conto como o caso foi...
Quarta-feira, 13 de novembro de 1974. O nobre Carlos Celso Cordeiro está em casa, sorumbático. O Santa Cruz lidera invicto o segundo turno do campeonato. O seu querido e amado Náutico tem um time melhor, mas falta alguma coisa pra coisa engrenar. Um sinal dos céus, uma catástrofe no Arruda, um terceira guerra mundial.
Naquela noite, Carlos se distraía com alguns exercícios de lógica, mas a ilógica do futebol iria passear em sua vida. Um amigo que estava sem fazer nada chama Celso pra assistir o jogo Santa Cruz e Ferroviário no Estádio José do Rêgo Maciel.
Celso reluta, mas naquela quarta-feira vazia ele decide passar o tempo e jogar conversa fora enquanto o ferrim é estraçalhado por Givanildo e Cia.
O Ferroviário forma com Jairo; Romário, Geraílton, Moreira e Pedrinho; Zecão e Nunes; Beto, Josafá, Lula e Roberto.
O pentacampeão pernambucano alinha Raul Marcel, Orlando, Lima, Levi e Celso; Givanildo e Luciano; Zé Maria, Paulo Ricardo, Ramon e Santos.
Arbitragem do Sr. Sebastião Rufino.
O jogo começa. O Santa Cruz manda uma bomba na trave com Luciano e Celso olha pro céu.
Luciano lança Ramon cara a cara e Jairo defende.
Zé Maria entra com tudo na defesa do Ferroviário, mas esquece a bola nos pés de Geraílton.
Celso aguarda o fim do bombardeio. O primeiro gol tricolor.
Quando de repente, não mais que de repente... Lula recebe no pivô e vendo Beto desmarcado toca de primeira. Do jeito que vem Beto fuzila: Ferroviário 1 x 0!
5.214 pagantes se calam.
Enquanto um torcedor se levanta e quase grita GOL!
Quase, porque o cérebro cibernético de Celso ainda tem juízo.
A torcida olha pra o moço de Tabira indagando que vibração era aquela.
E Celso faz de conta que não é com ele.
O jogo de gato e rato prossegue. O Santa Cruz chuta. Jairo espalma. Moreira espana. Pedrinho mete um bico pra lateral.
O segundo tempo vai passando. Celso olha pro relógio de segundo em segundo. Uma última chance para o tricolor, a bola se perde pela última linha.
A torcida tricolor vaia seu time.
Celso vai caminhando calmamente com seu amigo na direção de casa.
Mas qualquer transeunte que passasse ia notar aquele sorriso maligno entre os dentes.
O sorriso da única testemunha alvirrubra da queda da cobra coral.
Um mês depois o Náutico de Lima fechava o caixão tricolor.
Sem choro nem vela.
Mas que podiam ter mandado uma faixa pro Celso, isso podiam!

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