13 de set. de 2008



Fluminense, 1971


1971?

Até que ponto os cartolas podem afundar um clube?

Pelo visto, até o fundo do poço.

O cartola em sua maior expressão é um abnegado.

Apaixonado, dedica sua vida livre ao clube do coração.

Torna-se um Eládio, um Adelmar.

Um símbolo.

Pois bem. Em sua menor expressão, o cartola é um aqueta.

Alimenta-se da seiva do clube em prol de si mesmo, e depois o abandona a própria sorte.

Muitas vezes com uma faixa de campeão no peito e aplausos dos iludidos torcedores.

Nem só de abnegados vive o nosso futebol brasileiro. Nem só de aquetas.

O Atlético-PR afunda nas mãos do seu pretenso mecenas.

O Vasco da Gama deve os olhos da cara graças ao seu antigo mandatário.

O Fluminense era um clube aristocrático. Acho que já ouvi isso antes.

Vivia na mais ajustada equação. Foi até premiado pela FIFA como môdelo de gestão nos anos 60.

Qua qua qua!

Meteu-se nas mumunhas e artimanhas dos contratos de risco. Quis ganhar a Libertadores.

E afundou no mar da Venezuela em 1971. Sem choro nem vela. Só rima.

A crise foi tão grande que o clube desabou para a lanterna do Brasileirão 71.

Eu falei 1971, não confundam com 2008.

Ficou devendo o nó das calças.

Conclusão: Quase teve a sede leiloada esta semana. Trinta e sete anos depois do descalabro.

Isso também me lembra outro clube aristocrático, qual será?

A diferença no Fluminense é que os aquetas trajavam polainas e abotoaduras.

Fato estranho, paradoxal até. Um cartola não se julga apenas pelos títulos.

Um bom pai não cumula o filho de presentes régios.

Um bom pai faz o que é melhor para seu filho, mesmo que isso signifique um NÃO.

O Fluminense de 1971, ou o Fluminense de hoje que patina na rabeira do Brasileiro é uma lição.

Um cartola pode ser um benemérito ou um aqueta.

Um símbolo ou um cavaleiro do apocalipse.




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