Por ROBERTO VIEIRA
A bola segue seu caminho pelas esquinas do San Siro.
Deus recebe a bola pela esquerda e enxerga o Diabo. Sozinho.
A bola chega endeusada nos pés do diabo que chuta de primeira.
Mas a bola não chega às redes com medo do pecado original.
A bola gira como o mundo. Analogia do criador.
Bola que girândola, bola que chega novamente aos pés de Deus.
Deus pela direita enxerga o passado e o presente.
Deus também enxerga o ponto futuro.
E toca na bola, santificadamente, com açúcar e com afeto.
Bola que gira pelo espaço abençoada durante seis dias e seis noites.
E chega pela imensidão do San Siro na cabeça do Diabo.
Diabo em pele e toque de gênio que cabeceia a bola que gira suave.
Demoniacamente para as redes da Internazionale.
Internazionale que é homem. Barro. De carne e osso.
Impotente sentença diante do mistério maior do futebol jogado pelo Milan.
Futebol de Deus. Futebol do Diabo.
Deus e o Diabo na terra do futebol...

0 comentários:
Postar um comentário
Comentários