28 de set. de 2008






Por ROBERTO VIEIRA


A bola segue seu caminho pelas esquinas do San Siro.


Deus recebe a bola pela esquerda e enxerga o Diabo. Sozinho.


A bola chega endeusada nos pés do diabo que chuta de primeira.


Mas a bola não chega às redes com medo do pecado original.


A bola gira como o mundo. Analogia do criador.


Bola que girândola, bola que chega novamente aos pés de Deus.


Deus pela direita enxerga o passado e o presente.


Deus também enxerga o ponto futuro.


E toca na bola, santificadamente, com açúcar e com afeto.


Bola que gira pelo espaço abençoada durante seis dias e seis noites.


E chega pela imensidão do San Siro na cabeça do Diabo.


Diabo em pele e toque de gênio que cabeceia a bola que gira suave.


Demoniacamente para as redes da Internazionale.


Internazionale que é homem. Barro. De carne e osso.


Impotente sentença diante do mistério maior do futebol jogado pelo Milan.


Futebol de Deus. Futebol do Diabo.


Deus e o Diabo na terra do futebol...




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