30 de set. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA


Há 40 anos morria a perfeita tradução do carioca.


Há 40 anos silenciava Sérgio Porto. Ou Stanislaw Ponte Preta, como queiram.


Você não conhece?


Pena.


Porque Sérgio Porto era o drible em forma de palavra. Não qualquer drible, mas aquele drible abusado, cínico, desmoralizante.


Suas palavras menosprezavam o coturno oligofrênico. O coturno que castra a palavra, dom maior do ser humano.


Mas fazia isso com um humor tão refinado e escrachado que deixava aparvalhada a multidão de críticos.


Para Sérgio, nada mais suado que os marcadores de Pelé.


Nada mais inchado que cabeça de botafoguense.


Nada mais feio que mudança de pobre.


Nada mais murcho que boca de velha.


Sérgio que possuía milhares de discos de samba e jazz, espalhados pela casa, destrinchados em palavras de sonho e respeito.


Sérgio Porto que amava o Fluminense, mas não sobre todas as coisas, porque sobre todas as coisas amava as mulheres.


Mulheres que em seu domínio se tornaram as certinhas do Lalau.


Assim era Stanislaw, ou Sérgio, um carioca de um tempo em que se peito de moça fosse buzina ninguém dormia na Cidade Maravilhosa.


No Brasil de hoje, Brasil que insiste em renovar seu repertório do FEBEAPÁ, a falta de um Sérgio


Porto é um alívio para os políticos de plantão.


Grande Sérgio, ou Stanislaw, como queiram, esteja onde estiver, fique tranqüilo.


A sua luz não se apagou...





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