7 de ago. de 2008





Alguns comentaristas exclamam:

"Roberto Fernandes não pode fazer milagres com o elenco que possui!"

E completam, entusiasmados:

"Não tem Sidny nem Júlio César! Não tem Elicarlos nem Daniel Paulista! Não tem Acosta!"

Quanto esquecimento, meu Deus!

Quanta saudade de Barbosa Lima Sobrinho! Decano jornalista. E Timbu!

OK. Vamos aos fatos.

Quando Roberto Fernandes chegou ano passado, o Náutico era um navio fantasma.

Seus jogadores não valiam um tostão furado.

A crônica esportiva esculhambava com o elenco. 3x4.

A torcida urrava nas arquibancadas:

"Queremos jogador! Queremos jogador!"

E aos poucos, o Náutico se refez.

Sidny virou Nelinho.

Júlio César? Imperador!

Elicarlos, um volante clássico, sem faltas.

Daniel Paulista foi tão longe que está quase em Bucareste.

Geraldo e Acosta se tornaram unha e carne.

O Timbu brilhou num campeonato nacional como jamais tinha acontecido.

Alto lá, meus senhores de microfone em punho.

Os jogadores que hoje são lembrados e festejados por vocês eram argila.

Pó.

Biodegradáveis.

O Náutico de ontem era igual ou pior que o time atual.

Eduardo e Wagner estão aí.

Felipe, também.

Se outro milagre virá? Não sei.

Não tenho uma bola de cristal.

Mas trabalho sério sempre será benvindo em Rosa e Silva.

Se o Náutico recomeçar a vencer.

Ticão vira craque.

Helton, Pelé.

Gilmar, se naturaliza uruguaio.

A vitória transforma os homens e as opiniões mais rápido que a velocidade da luz.

Quanto ao protesto nos Aflitos?

Pipoca é coisa de cinema.

Fogos, coisa de São João.

Violência não leva a nada.

Passei na frente da sede e pensei que estavam comemorando a partida de Pintado...

Quando vi que era briga, dei meia volta.

Briga eu quero ver. Em campo!

Torcedor do Náutico não sacode pipoca nem briga com jogador.

Imaginem o Barbosa Lima Sobrinho sacudindo milho em Rosa e Silva!

Jamais...




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