
Por ROBERTO VIEIRA
O Afeganistão é um país pobre.
Um país de montanhas e guerra. Fé e fanatismo.
Duas em cada dez crianças morrem antes de completar um ano de vida.
Um em cada três afegãos mora longe de casa. Refugiado. Longe da miséria e da fome. Cercado de saudade.
Apesar da pobreza, a localização geográfica do Afeganistão o tornou objeto de cobiça para as grandes potências. Um joguete nas mãos da Inglaterra, da antiga URSS e dos EUA.
Quis Allah, misericordioso e justo, que um dos melhores romances dos últimos anos fosse escrito por um médico afegão, Khaled Hosseini, radicado nos EUA.
O Caçador de Pipas surpreende, pois transforma em poesia a dor e o desencanto do menino Amir e do seu país. Como um novo Malba Tahan, Hosseini transporta o leitor para uma terra de beleza e contrastes desconhecidos.
Ontem, o Afeganistão estava em festa.
No dia 19 de agosto de 1919, o país conquistava a sua independência contra o Império Britânico.
Um dia depois, festa novamente. O país acaba de conquistar a sua primeira medalha olímpica com Rohullah Nikpai na categoria até 58kg do taekwondo.
Uma medalha de bronze.
Uma simples medalha, mas uma medalha tão improvável quanto um best-seller sobre um menino que brincava de caçar pipas em Cabul.
Maktub!
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comentários