20 de ago. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA


O Afeganistão é um país pobre.

Um país de montanhas e guerra. Fé e fanatismo.

Duas em cada dez crianças morrem antes de completar um ano de vida.

Um em cada três afegãos mora longe de casa. Refugiado. Longe da miséria e da fome. Cercado de saudade.

Apesar da pobreza, a localização geográfica do Afeganistão o tornou objeto de cobiça para as grandes potências. Um joguete nas mãos da Inglaterra, da antiga URSS e dos EUA.

Quis Allah, misericordioso e justo, que um dos melhores romances dos últimos anos fosse escrito por um médico afegão, Khaled Hosseini, radicado nos EUA.

O Caçador de Pipas surpreende, pois transforma em poesia a dor e o desencanto do menino Amir e do seu país. Como um novo Malba Tahan, Hosseini transporta o leitor para uma terra de beleza e contrastes desconhecidos.

Ontem, o Afeganistão estava em festa.

No dia 19 de agosto de 1919, o país conquistava a sua independência contra o Império Britânico.

Um dia depois, festa novamente. O país acaba de conquistar a sua primeira medalha olímpica com Rohullah Nikpai na categoria até 58kg do taekwondo.

Uma medalha de bronze.

Uma simples medalha, mas uma medalha tão improvável quanto um best-seller sobre um menino que brincava de caçar pipas em Cabul.

Maktub!



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