
A votação quase unânime dos nossos deputados ao novo projeto de saúde do governador Eduardo Campos, entristece. Entristece porque na democracia não existe unanimidade. A não ser em guerra ou calamidade pública. Não se votam projetos sobre assuntos tão fundamentais sem discussão. Na calada do dia. Como um inequívoco sinal do poder dos mandarins. Isso é sinal de velada ditadura.
Pois nas ditaduras os fatos são óbvios, indiscutíveis. Eternos.
Agora a saúde pernambucana não é mais um dever do estado. É um abacaxi privado. Como já vem sendo feito sigilosamente em São Paulo. O governo em vez de assumir suas responsabilidades, joga a responsabilidade nos ombros dos outros criando fundações estatais de direito privado.
Nesta quinta-feira o governo demonstrou que manipula a oposição. Para imenso pesar de meu colega Dr. Antônio Jordão. Lamento Jordão, mas não se amofine. Política não tem passado.
Hoje vivemos, na aparente democracia, a mais infame das ditaduras. A ditadura da desinformação, de uma população omissa e embevecida por falsas promessas, a ditadura dos que praguejavam contra a privação da liberdade.
Pra quem não lembra, convém lembrar. No golpe militar de 1964, o avô do atual governador, Miguel Arraes, foi declarado impedido pela Assembléia Legislativa no dia primeiro de abril. Plena ditadura.
O resultado sob fuzis e coturnos foi unânime? Não. O resultado foi de 45 x 16. E ainda teve um voto em branco.
Ou seja. Havia 16 heróis no plenário. Hoje, nem isso. Sem fuzis e sem coturnos. Convencidos sabe-se lá por quais ideais.
Hoje vivemos a unanimidade furtiva. E unanimidade, só nas ditaduras.
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