28 de jul. de 2008



A felicidade é uma deusa de transitória beleza. Efêmera.

Buscamos a felicidade perene esquecendo o quanto ela é fugaz. Foge entre os dedos, escapa aos sentidos.

Muitas vezes somos felizes e sequer sentimos.

Outras vezes, ansiamos pela felicidade nas casas, nas ruas, nas notas de cem reais nos bolsos.

Mas a felicidade repousa no remoto Everest do nosso coração.

Assim é a vida, assim é o futebol.

Futebol que nos trouxe a imagem da felicidade no final de semana. Felicidade em lugares tão díspares quanto consequentes.

Haverá tristeza maior que a derrota do Náutico para o Coritiba na primeira divisão?

Para a sua torcida, não.

Haverá alegria maior que a da torcida do Santa Cruz no sofrido empate contra o Campinense pela terceira divisão?

Decerto que não.

E é só olhar a realidade e nos damos conta da disparidade dos elementos.

Um clube navegando nas águas tão sonhadas da divisão especial do nosso futebol.

O outro tentando respirar na combalida terceira divisão do mesmo futebol.

Quantos clubes da terceira divisão não estariam soltando fogos por pertencer a mesa do banquete nacional?

Mas o ser humano é pífio. Breve. Mortal.

Mal conquista o sonho, logo almeja um outro sonho. O que poderia ser absolutamente normal.

Mas o novo sonho traz uma infelicidade inexplicável. Uma tristeza e melancolia absurda.

O homem é um ser infeliz por natureza.

E na sua infelicidade, o homem deixa de amar os detalhes do caminho. Deixa de sorrir com as carícias do destino.

O homem comemora um empate de terceira e amaldiçoa uma derrota de primeira.

Faço o comentário deixando de lado dirigentes, jogadores e técnicos.

Faço o comentário pensando apenas na vida e na felicidade.

Porque, se pensarmos bem, dirigentes, jogadores e técnicos sempre irão existir.

Em qualquer divisão.

O que muda é a nossa visão do sorriso. Da alegria. Da felicidade.

O que muda é a maneira como vemos o mundo...

E na esquina da rua da Angustura, um homem repetia aos quatro ventos:

"Eu era feliz e não sabia!"

Porque a felicidade está na breve alegria da conquista.

Não na mesa recoberta de iguarias.



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