28 de jul. de 2008



O alvirrubro Neruda*


No post anterior eu falei da felicidade.

Felicidade que parece prima-irmã dos poetas. Seres vituais por natureza.

Será?

Ninguém é parâmetro de felicidade. Felicidade não possui parâmetro.

A felicidade não está na paisagem, está em nós mesmos.

Falo porque a felicidade da primeira divisão tão almejada, hoje se transforma em tristeza.

Muitos gostariam de estar na situação do Náutico e não estão.

Então a felicidade é o caminho, não o alvo. A felicidade é o pão pra quem tem fome.

O pão é a amargura - pra quem deseja o banquete.

Falo filosoficamente. Ninguém precisa concordar.

Mas o homem só é feliz em si. Quando não depende do pão nem do banquete.

Torcer pelo Náutico para mim é ser feliz. Per si.

Como torcer pelo Sport ou Santa Cruz torna o rubro negro e o tricolor felizes.

Quando o Náutico ganha uma partida do Íbis eu fico alegre.

Quando o Náutico perde o par ou ímpar, eu vou pra casa chateado.

Ser alvirrubro é a felicidade em sua plenitude. É meu time.

Até debaixo d'água depois do efeito estufa.

Como o amor. Basta para sermos felizes. O resto é bijouteria.

Quanto ao poeta, não sei, toda a minha vida fui criticado por ver o mundo com poesia, a tal ponto que me tornei um cético.

E escrevo pra que as pessoas não se deixem tomar pelo ceticismo.

Para que os céticos se façam poetas.

Para que o pão e a poesia sejam banquete.

Para que Náutico, futebol e a poesia sejam um só.

Embora não tenha nada contra time nenhum. Cada time tem seu verso decassílabo.

Os realistas me falarão de dirigentes e jogadores. Clube dos 13. Máfia do futebol.

E daí?

Eles podem tomar meu campo, eles podem roubar meus pontos, eles podem censurar minhas palavras.

Mas se a felicidade está dentro de mim... Ela é inatingível.

Como aquele torcedor solitário do Olaria na geral do Maracanã, anos 70.

Bandeira do Olaria aos ventos contra os cem mil flamenguistas.

Ele era o mais feliz.

No final da vida, vida que é mortal posto que é chama.

(Vermelha e branca)

Parodiando o inigualável Pablo Neruda, eu direi aos amigos:

Confesso que torci!

* Em 1968 Náutico e Neruda se encontraram na fria Porto Alegre


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