5 de jul. de 2008



Deixei de existir há muito tempo.

Como as ondas que chegam até a praia e

ondas não retornam ao mar.

Deixei de existir quando deixou de existir teu olhar.

Deixei de existir quando deixei de ouvir tua voz.

Deixei de existir,

assim simplesmente deixei.

Como os dias que passam indefinidamente

na frágil corrente que chamam de vida.

Como as noites que mergulham o mundo na escuridão.

Como pegadas.

Como palavras.

Como o ar que respiramos derradeiro.

Deixei de existir.

Deixei de conjugar o verbo ser.

Eu não sou tu não és nós não somos.

Pequena princesa perdida na barca de Caronte.

Deixei de existir há muito tempo.

Como as ondas que chegam até a praia e

ondas não retornam ao mar.



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