
Por ROBERTO VIEIRA
A seleção olímpica brasileira irá enfrentar o Vietnã no dia primeiro de agosto no estádio My Dinh em Hanói.
Para os mais jovens, um destino exótico. Para os mais antigos, um evento histórico.
Pois o Vietnã é a terra onde os cowboys foram derrotados. O Iraque do ontem de todos nós.
Imaginar uma partida de futebol na terra onde o napalm obscurecia o sol é pura ficção. Asimov e Camus.
Muitos torcedores e cronistas irão desdenhar a partida. Pelada!
O que o Brasil tem a aprender no Vietnã?
Quem sabe lá? Futebol é muito mais que um jogo.
As bombas no Vietnã não lembram Roberto Rivelino ou Nelinho.
O país é comunista e... budista. Nós somos cristãos ecumênicos.
Temos o Masp e, breve, o Museu do Futebol. O Vietnã tem o Museu da Guerra.
O Brasil tem a sua baía da Guanabara. Os vietnamitas, a baía de Halong, onde dormem os dragões de pedra.
A gente bebe uma brahma, eles uma saigon.
As livrarias deles estão cheias... as nossas, nem tanto.
Nós temos Pelé, craque e artista da bola. Eles tinham Ho Chi Minh, poeta e guerrilheiro.
Enquanto Pelé buscava marcar o milésimo gol em 1969, Ho Chi Minh murmurava em seu leito de morte:
"É preciso armar de aço os versos do nosso tempo".
E nós armavamos de aço as feras de Saldanha.
(Aliás, Saldanha era um grande torcedor do Vietnã, diga-se de passagem)
Realmente não existem dois países tão distantes quanto Brasil e Vietnã.
Mas entre tantas diferenças, um goleiro em comum.
Fábio dos Santos, ex-Vasco da Gama, é o goleiro artilheiro do Dong Tan, time da primeira divisão vietnamita.
Naturalizado, Fábio aguarda ser convocado para a seleção do país asiático. Ele que já marcou dez gols pelo seu time.
Ou seja, pelo menos um Rogério Ceni eles já possuem...
0 comentários:
Postar um comentário
Comentários