22 de jul. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA


A seleção olímpica brasileira irá enfrentar o Vietnã no dia primeiro de agosto no estádio My Dinh em Hanói.

Para os mais jovens, um destino exótico. Para os mais antigos, um evento histórico.

Pois o Vietnã é a terra onde os cowboys foram derrotados. O Iraque do ontem de todos nós.

Imaginar uma partida de futebol na terra onde o napalm obscurecia o sol é pura ficção. Asimov e Camus.

Muitos torcedores e cronistas irão desdenhar a partida. Pelada!

O que o Brasil tem a aprender no Vietnã?

Quem sabe lá? Futebol é muito mais que um jogo.

As bombas no Vietnã não lembram Roberto Rivelino ou Nelinho.

O país é comunista e... budista. Nós somos cristãos ecumênicos.

Temos o Masp e, breve, o Museu do Futebol. O Vietnã tem o Museu da Guerra.

O Brasil tem a sua baía da Guanabara. Os vietnamitas, a baía de Halong, onde dormem os dragões de pedra.

A gente bebe uma brahma, eles uma saigon.

As livrarias deles estão cheias... as nossas, nem tanto.

Nós temos Pelé, craque e artista da bola. Eles tinham Ho Chi Minh, poeta e guerrilheiro.

Enquanto Pelé buscava marcar o milésimo gol em 1969, Ho Chi Minh murmurava em seu leito de morte:

"É preciso armar de aço os versos do nosso tempo".

E nós armavamos de aço as feras de Saldanha.

(Aliás, Saldanha era um grande torcedor do Vietnã, diga-se de passagem)

Realmente não existem dois países tão distantes quanto Brasil e Vietnã.

Mas entre tantas diferenças, um goleiro em comum.

Fábio dos Santos, ex-Vasco da Gama, é o goleiro artilheiro do Dong Tan, time da primeira divisão vietnamita.

Naturalizado, Fábio aguarda ser convocado para a seleção do país asiático. Ele que já marcou dez gols pelo seu time.

Ou seja, pelo menos um Rogério Ceni eles já possuem...



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