
12 de julho de 1998...
Por ROBERTO VIEIRA
Zé Gallo abraça Zagallo na concentração de Ozoir-la-Ferriére.
A turma do Casseta e Planeta faz as pazes com o velho Lobo.
Dunga abraça o treinador. Ao lado de Taffarel, Dunga é o recordista de jogos em Copas do Mundo nesta seleção.
Dunga está prestes a ser o primeiro jogador a erguer por duas vezes consecutivas o troféu de campeão mundial.
Dunga que tem planos de se tornar técnico. Ronaldo sorri.
Zinedine Zidane se posiciona na entrada da grande área.
De repente dispara na direção do gol. O escanteio descreve uma curva em sua direção.
Numa fração de segundos, Leonardo percebe o perigo azul. Tarde demais. A cabeçada certeira vence Taffarel: França 1 x 0.
Galvão Bueno repete a escalação da seleção brasileira. Onde está Ronaldo?
O Brasil atônito se pergunta o que ocorre nos bastidores da seleção. Onde está Ronaldo?
O Brasil se prepara para a guerra na França com os nervos em frangalhos. Edmundo vai jogar? Onde está Ronaldo? Convulsões?
Uma primeira versão fala de uma contusão no tornozelo direito.
Quarenta e cinco minutos antes do pontapé inicial e tudo volta a ser como antes. Ronaldo joga.
O escanteio vem da direita. Zinedine Zidane se posiciona na entrada da grande área.
De repente dispara na direção do gol. O escanteio descreve uma curva em sua direção.
Numa fração de segundos Dunga percebe o perigo azul.
Mas Zidane ganha a dividida e cabeceia entre as pernas de Roberto Carlos.
A cabeçada certeira morre nas redes brasileiras: França 2 x 0.
Uma final de Copa do Mundo é uma guerra. A seleção brasileira parece disposta a provar que na guerra a primeira vítima é a verdade.
Edmundo caminha para o banco de reservas. Ronaldo não sorri.
O Brasil não sabe, mas o Brésil já perdeu a partida. É tudo uma questão de tempo.
Pela primeira vez a Copa do Mundo não assiste uma final entre duas seleções.
No Estádio da França só existe um time em campo. E não é o Brasil. Gol de Petit.
Zinedine Zidane é campeão do mundo. É filho de argelinos o herdeiro do marroquino Just Fontaine.
A França se descobre multirracial. O Champs-Élysées se transforma em uma praça do interior brasileiro. Até a próxima intifada.
A FIFA agradece aos deuses do futebol o resultado da partida. A FIFA de Jules Rimet.
Nos próximos quatro anos a França irá dominar o mundo do futebol.
O Brasil irá se debater em crises, derrotas e explicações de Ronaldo na CPI do Congresso.
Nada mais digno do Casseta e Planeta...




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