
O Vietnã que repousa na memória coletiva como um lugar de guerra e sangue.
Nunca um templo do futebol.
O Vietnã que recebeu a seleção brasileira hoje como receberia Ho Chi Minh.
Extraordinário esporte é o futebol. Futebol que atravessa continentes, fronteiras, línguas.
Futebol que invade corações e mentes de modo mais subversivo que bombas e panfletos e marines.
Futebol brasileiro que conseguiu conquistar o inconquistável Vietnã.
Talvez, o futebol não pertença aos San Siros desta vida.
Por mais forte que seja o dinheiro no bolso dos magnatas que sabem ganhar dinheiro.
Magnatas que não sabem fazer uma embaixada. Um gol de calcanhar.
Talvez o futebol não seja mesmo dos salões de Versalhes, dos talheres ingleses, dos compassos de Chopin.
Talvez, o futebol seja este estranho ser que nasce do inesperado de Hanói.
Dos campos de várzea africanos.
Das esquinas insalubres do terceiro mundo.
O que não tem governo, nem nunca terá. O que não tem tamanho.
Os olhos emocionados dos jogadores da seleção no aeroporto do Vietnã, talvez não lembrem.
Mas um drible muitas vezes é a última esperança de quem sofre nas periferias deste mundo.
Quem sabe um dia, a seleção brasileira deixe de lado Londres e Paris.
E venha alegrar os muitos Vietnãs que existem por aqui...

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