29 de jul. de 2008







Por ROBERTO VIEIRA

Muitos dirão, Vietnã? Como disseram Cingapura.

O Vietnã que repousa na memória coletiva como um lugar de guerra e sangue.

Nunca um templo do futebol.

O Vietnã que recebeu a seleção brasileira hoje como receberia Ho Chi Minh.

Extraordinário esporte é o futebol. Futebol que atravessa continentes, fronteiras, línguas.

Futebol que invade corações e mentes de modo mais subversivo que bombas e panfletos e marines.

Futebol brasileiro que conseguiu conquistar o inconquistável Vietnã.

Talvez, o futebol não pertença aos San Siros desta vida.

Por mais forte que seja o dinheiro no bolso dos magnatas que sabem ganhar dinheiro.

Magnatas que não sabem fazer uma embaixada. Um gol de calcanhar.

Talvez o futebol não seja mesmo dos salões de Versalhes, dos talheres ingleses, dos compassos de Chopin.

Talvez, o futebol seja este estranho ser que nasce do inesperado de Hanói.

Dos campos de várzea africanos.

Das esquinas insalubres do terceiro mundo.

O que não tem governo, nem nunca terá. O que não tem tamanho.

Os olhos emocionados dos jogadores da seleção no aeroporto do Vietnã, talvez não lembrem.

Mas um drible muitas vezes é a última esperança de quem sofre nas periferias deste mundo.

Quem sabe um dia, a seleção brasileira deixe de lado Londres e Paris.

E venha alegrar os muitos Vietnãs que existem por aqui...





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