16 de jun. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA

A jogadora de basquete Iziane Marques não é Hortência nem Magic Paula. Mas se julga a tal.

Substituída pelo técnico Paulo Bassul na partida contra a Bielorrússia, revoltou-se.

Afirma que nunca mais jogará pela seleção porque é uma estrela. E estrelas são individualistas.

O time que se exploda.

Paulo Roberto Falcão não era Pelé nem Garrincha. Mas era craque.

Até que foi barrado na seleção pelo técnico Cláudio Coutinho após um empate com o Paraguai no Maracanã.

Falcão já era uma estrela no Internacional. Já era bicampeão brasileiro. Mas a seleção negava-se a reconhecer seu talento.

Um ano depois, comandou os gaúchos em um empate histórico contra a seleção brasileira nas vésperas da Copa da Argentina.

Com direito a vaias, carrinhos e cartão amarelo.

Para Coutinho, o soberbo futebol de Falcão carecia da operacionalidade do futebol de Chicão.

Juntamente com Falcão, Coutinho barrou Marinho Chagas e Paulo César. Estrelas demais. Vedetes demais.

Exibicionistas demais.

Tudo muito bonito na prancheta, no discurso.

No final, quem explodiu foi o time.

Até hoje, Coutinho é crucificado pela não convocação do craque colorado.

A unanimidade na atitude do técnico Paulo Bassul já era esperada. Unanimidade que ficou mais fácil depois da classificação sofrida contra Cuba para as Olímpiadas.

Tudo pelo coletivo! Abaixo o indivíduo!

Afinal de contas Pelé e Garrincha já sentaram no banco de reservas numa boa.

Hortência e Paula, idem.

"Operários do mundo, uni-vos!"

Resta saber se um fracasso em Pequim não vai comprovar o célebre mandamento do mestre Armando Nogueira:

"Deus castiga a quem o craque fustiga!"

Nenhuma grande seleção do mundo foi formada por um bando de santos dizendo amém.

Todas estavam cheias de loucos e demônios.

Com um técnico polivalente na retaguarda. Misto de psiquiatra e exorcista de plantão.



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