15 de jun. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Muito se tem comentado sobre o Estádio Eládio de Barros Carvalho de propriedade do Clube Náutico Capibaribe, o popular Aflitos. Parte da crítica especializada o considera inseguro e indigno de figurar na Série A do Brasileirão. Falam do seu gramado, criticam suas portas e cadeados, cismam com sua antiguidade.

Bom mesmo é o Engenhão! Gramado de Copa do Mundo!

Mas, com o devido respeito, quem construiu o Engenhão? Quem construiu o Maracanã? Quem ergueu o Mineirão e a Fonte Nova?

Duas palavras respondem a questão: Tesouro Público. Eles pertencem ao Erário Futebol Clube.

A realidade nua e crua do futebol brasileiro necessita ser estabelecida de imediato, sob pena de crucificarmos um clube, sua história e uma obra edificada e mantida unicamente com o suor dos seus torcedores. Devemos louvar tal esforço nesta terra onde tudo se dá, segundo Pero Vaz de Caminha, e nada se cobra.

Devemos homenagear o Internacional e o Beira-Rio. O Grêmio e o Olímpico. Os clubes paranaenses e catarinenses. O São Paulo com seu majestoso Morumbi. O Palmeiras que idolatra seu Palestra Itália. O Vasco em São Januário. O Santos na sua singela e famosa Vila Belmiro. O Vitória e o Barradão. O ABC e o Frasqueirão. O Canindé luso. Nem todos sabem o que é erguer e manter um patrimônio em um país onde as regras econômicas mudam ao sabor dos ventos políticos.

Entre estas equipes é impossível esquecer os três grandes do Recife: Náutico, Santa Cruz e Sport.

Mas o que dizer dos outros? O que dizer daqueles clubes que ecoam exclamações sobre seus campos majestosos, seus gramados ingleses, sua plástica de primeiro mundo e jogam em estádios erguidos com o seu, o meu, o nosso dinheiro? Sim, o nosso dinheiro. Porque em vez de construir escolas, reformar hospitais, plantar moradias, o dinheiro público é utilizado em estranhas catedrais esportivas. Tudo em uma agradável e suntuosa simbiose.

Ou melhor seria dizer, parasitismo?

Não se pode negar a simplicidade do estádio de Rosa e Silva. Não em tempos de Eurocopa, de Wembleys reformados, de tetos solares. Mas o estádio de Rosa e Silva foi erguido tijolo por tijolo em desenho lógico por gerações de alvirrubros. Os Aflitos possuem a dignidade dos que não devem nada a ninguém. A mesma dignidade de um Morumbi. De uma Arena da Baixada. De um Orlando Scarpelli. Sem querer comparar arquitetura e modernidade.

Se é verdade que todos devem ao tesouro nacional e justiça trabalhista, sem exceção, não é menos verdade que uns gastaram tudo o que devem em castelos de areia.

Então não venham com a história de Engenhão, Maracanã, Mineirão ou Fonte Nova.

Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, entre outros, ainda não gastaram seu capital em castelos de areia.

Por mais incrível que isso possa parecer nos dias atuais.


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