11 de jun. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA

Luís Antônio Venker Menezes abriu os olhos de manhã. Olhou no espelho do quarto e pensou na velha Santa Cruz do Sul. Nada mais distante de Santa Cruz do Sul que o Cabo de Santo Agostinho. Em vez do minuano, este vento nordeste que sopra nos coqueiros. Na parede do seu quarto no resort uma pintura do conde Maurício de Nassau.

O destino é irônico. Sempre conduz Luís Antônio de volta a terra dos coqueiros. O velho zagueiro do Venâncio Aires ri das coincidências. Maurício de Nassau era alemão. Natural de Dillenburg. O povoado de Faxinal de Santa Maria era alemão. Imigrantes do Reno e da Silésia que chegaram para povoar a terra de espaços infinitos. Terra que hoje se chama Santa Cruz do Sul.

Todo mundo fala do domínio holandês no Nordeste, mas esquece que seu apogeu ocorreu pelas mãos de um conde alemão. Os alemães sempre voltam a Pernambuco para novas batalhas. Invasões de Olinda, Batalhas dos Guararapes, Batalha dos Aflitos, Batalhas da Ilha do Retiro.

Nassau foi embora sem derrotas. As derrotas foram holandesas. Venker também deseja partir sem derrotas. Embora uma derrota por um gol de diferença não faça nenhuma diferença.

Um barulho na porta interrompe seus pensamentos. O time do Corinthians entra no quarto com um bolo de aniversário cantando Parabéns pra você. Mano Menezes recorda que hoje ele completa 46 anos. Quem sabe vencendo uma nova batalha?

O retrato na parede observa Mano Menezes em silêncio.

Daqui a uma semana ele também fará aniversário.

Mas o seu coração já não é mais alemão. O seu olhar torce na moldura pela terra dos coqueiros. Pela sua querida Mauritsstad.

Por um novo Guararapes...


0 comentários:

Postar um comentário

Comentários