6 de jun. de 2008



Aflitos na subida para Série A

Por ROBERTO VIEIRA

O Nordeste possui uma área equivalente a da França, Alemanha, Itália e Reino Unido somados. Nele vivem mais de 50 milhões de pessoas, ou seja, 30% da população brasileira. Nosso PIB atinge os 100 bilhões de dólares. Maior que o do Chile.

Aqueles que se agarram ao passado coronelista nos julgam um nicho medieval. Os que enxergam o horizonte percebem que já não produzimos apenas cana e babaçu.

Já somos a região dos softwares, da indústria petroquímica e da agroindústria.

Durante décadas fomos sinônimo de pau de arara. Sinônimo de preguiça. Nós éramos a âncora do Brasil Gigante.

Quando eu percorria as ruas de São Paulo e via meus conterrâneos construindo arranha-céus, erguendo estranhas catedrais, perfurando metrôs, eu me perguntava como podiam ser preguiçosos aqueles homens que eram a mão de obra barata do milagre brasileiro. Pois o nordestino era o judeu do Brasil. O culpado de todos os males e atrasos do maior país da América Latina. Só faltava lhe imputarem a estrela de Luís Gonzaga.

No futebol era até engraçado. Imaginem esse time: Manga; Júnior, Ricardo Rocha, Juninho Pernambucano e Marinho Chagas; Clodoaldo, Rivaldo e Zagalo; Vavá, Ademir Menezes e Canhoteiro. Ainda teria Fausto e Almir na reserva. Todos jogando no sul maravilha. Mais de vinte gols em Copas do Mundo.

Todos paus de arara.

A verdade nua e crua é que uma parte do sul é nossa irmã. Lembra que o sul e o sudeste foram construídos por imigrantes.

E imigrante sofre tudo igual, seja ele ucraniano, italiano, turco ou cearense.

Mas uma outra parte nos quer exportadores de braços e mãos, de açúcar e cacau. De chuteiras e de gols. Depois eles nos devolvem as jogadas pelas antenas parabólicas. Com juros e correção monetária. Como o chocolate industrializado.

Muitos nordestinos solicitam a volta do Campeonato do Nordeste, torneio torpedeado anos atrás pela CBF. Outros sonham com o lançamento de uma Liga do Nordeste. Liga que poderia ser bancada por uma grande emissora de TV.

Acho uma grande idéia. Mas é preciso estipular um prêmio. Dinheiro, muito dinheiro. E a classificação para algum torneio importante.

Por que não a Libertadores? Ou a Sul Americana? Qualquer time nordestino gostaria de jogar esses torneios. E com a atual fórmula maniqueísta da CBF é impossível.

Se o México pode, por que o Nordeste não pode?

Como diria John Lennon, vocês dirão que eu sou um sonhador. Mas eu não sou o único. Espero que algum dia você se junte a nós.

E quem sabe o Brasil será apenas UM.

1964, Vavá treina nos Aflitos


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