
Falcão, presidente do Inter?
Por ROBERTO VIEIRA
A eleição de Roberto Dinamite para a presidência do Vasco da Gama traz em si a esperança de um gol, como tantos gols que o artilheiro marcou nas tardes de domingo no Maracanã. Como os cinco gols que marcou no Corinthians quando voltou desiludido de Barcelona.
Mas será que um grande craque tem o poder de se transformar num grande cartola?
Na Espanha, Santiago Bernabeu atuou dezessete anos na equipe principal do Real Madrid. Depois se tornou o homem que conduziu o time madrilenho ao poder e a glória do futebol internacional. Na Alemanha, o Kaiser Franz Bekembauer comandou o Bayern tricampeão europeu nos anos 70. Agora comanda o clube no domínio do futebol alemão. Na Holanda, Johan Cruyjff assumiu a direção geral do cambaleante Ajax de Amsterdã este ano.
Na Itália, o exemplo mais abrangente. Gigi Riva jamais abandonou o Cagliari. Foi seu condutor, símbolo e artilheiro. E depois de encerrar a carreira, tornou-se presidente do clube.
Todos os casos são exemplos de jogadores que amavam seus clubes. Unanimidades. Craques acima de qualquer suspeita. Jogadores que conhecem os clubes e os atalhos do futebol como ninguém. Jogadores que ajudaram a construir a mística que une torcida e clube nas encruzilhadas da história.
Talvez Roberto Dinamite dê certo. Talvez não. Mas qualquer torcedor sabe que é muito melhor encontrar na direção do seu clube, da sua paixão, alguém que já honrou a camisa do time com o suor de seu corpo.
Como um Falcão no Internacional. Um Zico no Flamengo. Um Vladimir no Corinthians. Um Zito no Santos.
Ou o saudoso Carlito Rocha, campeão carioca pelo Botafogo em 1912.
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