30 de jun. de 2009



Alguns dias ficam guardados em nossos corações.

O dia 30 de junho é um deles.

Poucos torcedores podem ser bi e pentacampeões no mesmo dia.

Pois foi o que ocorreu naquele 30 de junho de 2002.

Um dia para entrar na história.

Quem é brasileiro e ama o futebol não dormiu.

Ficou pensando: Como seria a final contra os alemães de Oliver Kahn?

O paredão germânico.

Quem sabe Ronaldo faria um gol?

Quem sabe?

Ballack estava de fora. Jeremies estava de volta.

Os adversários perdiam em criatividade e ganhavam em marcação.

O Brasil entrou com Marcos; Lúcio, Edmilson e Roque Júnior;

Cafu, Gilberto Silva, Kleberson, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos;

Rivaldo e Ronaldo.

Técnico?

Luís Felipe Scolari.


Uma equipe que se arrastou nas Eliminatórias.

Uma equipe vencendo tudo e todos na Copa do Mundo.

O resto da história eu não preciso repetir:


Dois gols de Ronaldo.

Brasil pentacampeão mundial!


Peraí!

E o bi?

Pois é.

Quem é torcedor do Náutico comemorou o título da seleção.

Mas logo depois tirou a camisa verde e amarela.

Tascou o manto vermelho e branco no corpo.

Havia uma outra decisão naquele 30 de junho.

Uma decisão muito mais difícil para nosso coração.

Ser bicampeão no Arruda após dezessete anos.

Ironia do destino.

O troféu em disputa tinha o nome de Marco Maciel.

Um histórico torcedor tricolor.

O Náutico levava vantagem.

Havia ganho o jogo anterior nos Aflitos por 3 x 0.

Podia perder por dois gols de diferença.

Náutico que alinhou Gilberto; Paulinho (Carlinhos), Marcelo Fernandes, Sílvio e Edu Silva;

Fábio, Sangaletti, Tupã (Remerson) e Fabinho;

Kuki e Ludemar (Fumaça).


Náutico que começou perdendo aos 9' quando Mauro César cruzou.

E Júnior Amorim cumprimentou.

Santa Cruz 1 x 0.

Tudo bem. Ainda estava sob controle.

Mas aos 45' Sílvio afasta mal.

Rincón acerta um pelotaço.

A bola sobra para Júnior Amorim: Santa 2 x 0.

O intervalo é tenso.

Sai Tupã e entra o zagueiro Remerson.

A torcida acha que o técnico está doido.

Mas a torcida confia cegamente neste técnico.

E fica calada. Esperando.

Foi quando o Santa troca Rincón por Roberto Santos.

Foi quando o técnico alvirrubro saca Ludemar e lança Fumaça.

Eram decorridos 26' da segunda etapa.

Dez minutos depois, Kuki puxa um contra ataque.

Kuki olha de soslaio e encontra Fumaça.

A bola chega nos pés de João Luís Silveira.

24 anos. 66Kg. 1m72 de altura.

Fumaça livra-se de Humberto e chuta forte no canto esquerdo de Nilson.

Náutico 1 x 2 Santa Cruz.

O Náutico era bicampeão pernambucano de 2002.

No banco de reservas, um técnico torcedor sorria e gritava.

Era o Conselheiro Muricy Ramalho.



O homem que confiou naquele velho provérbio:

"Onde há Fumaça, há fogo!"



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