Alguns dias ficam guardados em nossos corações.
O dia 30 de junho é um deles.
Poucos torcedores podem ser bi e pentacampeões no mesmo dia.
Pois foi o que ocorreu naquele 30 de junho de 2002.
Um dia para entrar na história.
Quem é brasileiro e ama o futebol não dormiu.
Ficou pensando: Como seria a final contra os alemães de Oliver Kahn?
O paredão germânico.
Quem sabe Ronaldo faria um gol?
Quem sabe?
Ballack estava de fora. Jeremies estava de volta.
Os adversários perdiam em criatividade e ganhavam em marcação.
O Brasil entrou com Marcos; Lúcio, Edmilson e Roque Júnior;
Cafu, Gilberto Silva, Kleberson, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos;
Rivaldo e Ronaldo.
Técnico?
Luís Felipe Scolari.
Uma equipe que se arrastou nas Eliminatórias.
Uma equipe vencendo tudo e todos na Copa do Mundo.
O resto da história eu não preciso repetir:
Dois gols de Ronaldo.
Brasil pentacampeão mundial!
Peraí!
E o bi?
Pois é.
Quem é torcedor do Náutico comemorou o título da seleção.
Mas logo depois tirou a camisa verde e amarela.
Tascou o manto vermelho e branco no corpo.
Havia uma outra decisão naquele 30 de junho.
Uma decisão muito mais difícil para nosso coração.
Ser bicampeão no Arruda após dezessete anos.
Ironia do destino.
O troféu em disputa tinha o nome de Marco Maciel.
Um histórico torcedor tricolor.
O Náutico levava vantagem.
Havia ganho o jogo anterior nos Aflitos por 3 x 0.
Podia perder por dois gols de diferença.
Náutico que alinhou Gilberto; Paulinho (Carlinhos), Marcelo Fernandes, Sílvio e Edu Silva;
Fábio, Sangaletti, Tupã (Remerson) e Fabinho;
Kuki e Ludemar (Fumaça).
Náutico que começou perdendo aos 9' quando Mauro César cruzou.
E Júnior Amorim cumprimentou.
Santa Cruz 1 x 0.
Tudo bem. Ainda estava sob controle.
Mas aos 45' Sílvio afasta mal.
Rincón acerta um pelotaço.
A bola sobra para Júnior Amorim: Santa 2 x 0.
O intervalo é tenso.
Sai Tupã e entra o zagueiro Remerson.
A torcida acha que o técnico está doido.
Mas a torcida confia cegamente neste técnico.
E fica calada. Esperando.
Foi quando o Santa troca Rincón por Roberto Santos.
Foi quando o técnico alvirrubro saca Ludemar e lança Fumaça.
Eram decorridos 26' da segunda etapa.
Dez minutos depois, Kuki puxa um contra ataque.
Kuki olha de soslaio e encontra Fumaça.
A bola chega nos pés de João Luís Silveira.
24 anos. 66Kg. 1m72 de altura.
Fumaça livra-se de Humberto e chuta forte no canto esquerdo de Nilson.
Náutico 1 x 2 Santa Cruz.
O Náutico era bicampeão pernambucano de 2002.
No banco de reservas, um técnico torcedor sorria e gritava.
Era o Conselheiro Muricy Ramalho.
O homem que confiou naquele velho provérbio:
"Onde há Fumaça, há fogo!"





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