O presente texto tenta responder a algumas perguntas que de vez em quando algum alvirrubro me faz.
O que deu errado? O que será do Timbu?
Eu não tenho resposta a essas perguntas. Tenho apenas alguns fatos e algumas idéias.
Ninguém pode realmente pretender explicar o passado.
O passado, o presente e o futuro não são lineares como querem fazer crer alguns livros de escola.
Mas talvez esses fatos, essas idéias lancem luz sobre um período esquecido da história de nosso futebol.
Quem sabe?
Eu só sei que quem sabe faz a hora.
3 de abril de 1964: Os Comandos Militares do Náutico
O Clube Náutico Capibaribe nos campos de futebol viveu seu apogeu e sua glória entre os anos de 1950 e 1968. Até 1950, o Náutico ostentava 3 títulos de campeão pernambucano em 34 disputados. Durante o seu domínio no futebol pernambucano, o Náutico venceu 11 vezes em 18 anos. De lambuja, levantou diversos torneios regionais, excursionou ao exterior, goleou o Santos de Pelé, fez gato e sapato do Palmeiras de Ademir da Guia e do Cruzeiro de Tostão, foi vice-campeão nacional e disputou a Libertadores das Américas de 1968.
Nenhum clube pernambucano chega perto destes feitos. Nenhum clube pernambucano ousou desafiar o resto do país com a bola nos pés, sem retranca, com gols e mais gols de uma linha atacante refinada. Mas este Náutico não nasceu por um passe de mágica. Foi urdido durante anos à fio com paciência por Eládio de Barros Carvalho. Mais ou menos como fez na mesma época Matt Busby no Manchester United.
Em 1968 o Náutico chegava no seu epílogo. Seus melhores jogadores contratados pelos clubes do Sul. Seu grande artilheiro lesionado. Um extraordinário zagueiro e um meio de campo tornam-se médicos. Outro se contunde. Dirigentes zarpam. O Santa Cruz surge com uma geração de craques como Givanildo e Luciano.
Até o Náutico estava entediado. Pois a vitória é um tédio sem fim.
Mesmo assim, o Náutico poderia ter sido campeão em 1970. Poderia. Não foi.
1971 assistiu o Náutico disputando jogos ridículos pelo interior do país. Semi falimentar. Os sócios diziam adeus. A estrutura aristocrata que lhe dera amparo durante gerações, sucumbira depois de 1968. Como ser aristocrata em um mundo que condenava o Vietnã, que chegara na Lua, que pegava em armas contra a ditadura? Mundo que já não era o mesmo daquele Brasil do dia 3 de abril de 1964?
... continua
Náutico é penta, 1967
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