25 de mai. de 2008











foto united nations



Por ROBERTO VIEIRA



Maio de 1948. Há 60 anos era adotado o Apartheid na África do Sul.

Os Afrikaaners, brancos de origem holandesa, assumiam o controle da política do país através do Partido Nacional.

Crianças começaram a ser catalogadas pela cor da pele quando nasciam.

No Brasil, a Lei do Passe pertencia ao futebol.

Na África do Sul, a Lei do Passe implicava que os negros só podiam se locomover dentro do país munidos de um passe ou passaporte.

60 anos depois um jovem moçambicano pede misericórdia nas ruas de Johannesburg. Um pneu com gasolina é colocado no seu pescoço.

O jovem implora pela sua vida.

Ateia-se fogo ao pneu.

Seus algozes dançam em volta do corpo em chamas como na celebração de um gol da seleção nacional.

Na paisagem um outdoor da Copa do Mundo 2010.

Há duas semanas os sul-africanos repetem contra os imigrantes os linchamentos dos tempos do Apartheid.

O desemprego atinge 40% da população e se traduz no ódio aos estrangeiros que aceitam trabalhar por um prato de comida. No cenário miserável da África, a terra de Desmond Tutu ainda parece um oásis de fartura.

Mas as políticas sociais foram abandonadas pelo atual presidente Thabo Mbeki. As promessas de prosperidade e democracia erguidas por Mandela se desvaneceram.

O diretor responsável pela organização da Copa, Danny Jordaan, lamentou os incidentes. Disse que até o começo do torneio em 2010 tudo estará resolvido.

Como sempre dizem os políticos nas suas salas atapetadas.

As cenas da África do Sul preconizam um futuro sombrio para a primeira Copa do Mundo em solo africano.

Solo dos antepassados de Pelé, Eusébio e Milla.

Quem sabe um futuro de Apartheid para o futebol.

Pois sempre é possível que o governo sul-africano decida agir como sempre fez historicamente:

Uma Copa para os ricos. O gueto e os pneus para os pobres.


0 comentários:

Postar um comentário

Comentários