7 de abr de 2016





Por ROBERTO VIEIRA

O que torna grande um clube? Ora, pois, a primeira imagem que temos de um clube de futebol é da sua camisa. Das cores e escudo. Das bandeiras tremulando ao vento e no suor das partidas. Esta imagem é a tradução visual e simbólica do que sonhavam os fundadores do clube. No caso alvirrubro, um vermelho de luta e um branco de paz provenientes das competições de remo no Rio Capibaribe ainda no século XIX. Como tantos clubes centenários pelo Brasil afora, o Náutico demorou a se encontrar com a bola no pé.
Mas cores e bandeiras não conseguem transmitir a paixão,  pois a paixão é cega. Perguntados porque amam um clube, dificilmente algum torcedor definiria que a paixão nasceu das cores. A beleza do ritual das camisas e bandeiras é sublime , porém não é visceral.
A segunda imagem que temos de um clube são seus títulos. O salão de troféus ajuda a angariar simpatizantes. Agrega valor. Sintetiza o triunfo ambicionado por gerações de sócios. É sempre mais fácil amar os clubes campeões.
Só que a quantidade de títulos não significa necessariamente a resposta ao amor. Existem as circunstâncias,  os heróis,  os símbolos e a memória. Um clube também carrega dentro de si uma mensagem e um destino.
Alguns clubes são sinônimo de garra. Outros são reflexo de movimentos sociais. Uns tantos  ostentam colônias,  fusões,  famílias,  divisões regionais ou patrocinadores - sinal dos tempos.
Então,  alguém pergunta : e o que é o Clube Náutico Capibaribe? Como o clube veterano completa 115 anos? Como se manter como o mais antigo dos nossos clubes? Como nascer no mata borrão e ainda jogar no whatsapp?
A resposta é dolorosa. A resposta repousa em dois momentos de muita dor na história do clube, fatos ocorridos este ano.
O primeiro foi a morte do engenheiro e pesquisador Carlos Celso Cordeiro. O segundo foi o falecimento do antigo craque e diretor do clube Ivanildo Souto da Cunha.
Craques na vida. Exemplos de homens de bem. Símbolos do que de mais belo nos lega o passado de nossa cidade e estado. Ambos traziam consigo o mais completo e desprendido amor pelo clube. O Náutico era um amor imortal. O Náutico era parte integral de suas almas e de seu destino.
Um clube pode ter cores, troféus e dinheiro no banco. Mas um clube de verdade precisa ter nas suas veias memórias, homens e mulheres, pranto e paixão. Um clube precisa saber quem ele é e a grandeza da historia que representa.


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