8 de mar de 2016





21 de junho de 1970. Estádio Asteca.
Noventa milhões de brasileiros assistem pela TV a final da Copa do Mundo.
O triunfo da pátria de chuteiras.
Menos. Bem menos.
Mais da metade destes noventa milhões não sabia escrever o próprio nome.
Não tinha saneamento.
Nem conheciam Zagalo.
Por mais incrível que esses números possam parecer aos adeptos da melhor seleção de todos os tempos.
O Brasil de 70 foi um triunfo dos craques da seleção. Craques comandados pelo maior jogador que já existiu.
Um Pelé exuberante e vingativo nos seus vinte e nove anos.
Um Pelé decidido a provar que ainda era Pelé.
E quando Pelé estava em estado de graça, sai de baixo.
Se Pelé fosse alemão, a Alemanha seria campeã.
Se fosse italiano, ou inglês também.
Pouco antes do início da Copa, o Brasil se debatia em sequestros e Saldanha.
João Sem Medo foi demitido e fez o maior rebuliço da paróquia.
O ministro Jarbas Passarinho veio aos jornais solicitar silencio ao antigo técnico da seleção.
Sua demissão e suas acusações sobre a CBD se tornaram caso de polícia.
Mais ou menos como as investigações sobre Ricardo Teixeira antes de 2002.
Ou as investigações sobre a máfia italiana antes da Copa de 2006.
Tudo empurrado para baixo do tapete após a vitória nos gramados.
João Havelange pediu até investigação do SNI sobre o caso.
Puro jogo de cena.
Na primeira partida do Brasil, a Tchecoslováquia saiu na frente com Petras.
E podia ter feito mais.
Mas o Brasil tinha Pelé. Que sofreu falta convertida por Rivelino.
Que marcou um antológico segundo gol em lançamento de Gerson. No final, 4 x 1.
Inglaterra. Talvez o melhor jogo da história das copas.
Pra quem aprecia o xadrez de Petrossian.
A Inglaterra teve três chances claras de gol. Felix e as traves defenderam.
Tostão achou Pelé que achou Jair que achou o gol.
Novamente o Brasil punia quem o deixava incólume.
Romênia foi um treino.
E o Peru?
O Peru atacou e defendeu como um valente. Mas Rubiños estava inspirado no gol.
E nem mesmo Didi tinha solução para Rubiños.
Jair fez mais um. Tostão fez seus únicos gols na Copa. Rivelino completou.
Vencemos o defensivo e violento Uruguai de forma dramática.
Com Pelé criando obras primas que não tocaram as redes.
Vencemos. E torcemos por um terremoto entre Itália e Alemanha na outra semifinal.
Terremoto que aconteceu em uma prorrogação dramática.
Os italianos já entraram derrotados no domingo 21 de junho. A maioria não conseguia nem andar em campo.
E o Brasil liquidou a Itália no segundo tempo.
Itália que mesmo cansada teve chance de matar o jogo.
Mas quem não faz... já diziam os primeiros comentaristas esportivos.
A seleção brasileira chegou ao título por caminhos estranhos. Nebulosos.
E o tricampeonato virou mote de governo.
Símbolo de acerto político.
Sinal de sabedoria econômica.


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