7 de fev de 2016








Por ROBERTO VIEIRA           





19 de agosto de 1934.

O Náutico nunca havia sido campeão pernambucano.

O América joga na Jaqueira.

A torcida do Sport apoiando o América.

Uma derrota alvirrubra?

Liderança rubro-negra.

O primeiro tempo termina 1×1.

Chuva torrencial na Jaqueira.

Frio.

O dirigente Natércio Holanda aparece com uma garrafa de cana.

Os jogadores vão virando a garrafa.

Turbinando o organismo.

A torcida adversária enlouquece:

“Bando de Timbus! Bando de Timbus!”

Os jogadores alvirrubros se revoltam

Enchem-se de brios.

Um jogador do Náutico é driblado?

“Timbu!”

Outro jogador erra um passe?

“Timbu!!”

O Náutico marca o segundo gol.

O Náutico marca o terceiro gol.

As torcidas do América e do Sport se calam.

E acontece o inesperado.

O imprevisto.

A torcida do Náutico assume a bebedeira.

Incorpora o totem.

Sai gritando Timbu pelas ruas do Recife.

O Clube Náutico Capibaribe.

Assume de vez a identidade de didelfis albiventris.

O simpático e perigoso marsupial noturno.

Marsupial que é doido por uma cachaça.

No dia 7 de abril de 1935.

O Náutico se sagra campeão estadual de 1934.

Na farra, na bola e na folia.

Um ano depois.

Carnaval de 1936.

Surge o maracatu Timbu Coroado.

Símbolo do domingo de carnaval pernambucano.

Hoje?

Os Timbus saem de novo em festa.

Comemorando 80 anos de delírio dionisíaco.

Fiéis ao seu passado imortal…






4 comentários:

  1. Nos últimos anos pergunto pelo Timbu Coroado. Cadê o bloco, o maracatu, que alegrava a Rosa e Silva desde cedo? Costumava passar o domingo com meus dois filhos em um trenzinho que saía da sede. A sede aberta para todos os alvirrubros. Uma alegria de curtir o Náutico e a fraternidade entre os "desconhecidos". Isto em 1997. Faz tanto tempo assim? Hoje a sede fechada. Hoje músicas baianas, axés, brega, funk, tecno-brega... Impressiona o descaso com um bloco, com um hino, que eu aguardava ansiosamente dia seguinte onde o Globo Esporte em edição nacional, mostrando a avenida lotada. Tivemos até o Mestre Capiba dentro da frevioca. No ano que promete ser marcante, este descaso... Uma tristeza... Uma burrice sem tamanho... Mataram meu bloco... Entregaram às torcidas organizadas que mudam o trajeto, definem horários, músicas e, por conseguinte, o público. Já estou sentindo-me saudoso aos 47 anos...

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  2. Concordo com robpe.E acrescento,com tristeza,o que ouvi ontem,de minha casa,na dispersão do trio que 'animava' o bloco: gritos de guerra de torcida,músicas com xingamentos e palavrões contra o Sport(o casá,cazú...).E tudo isso nos fundos do Hospital Jorge de Medeiros!!!Pense numa gritaria!
    Carlos Leite.

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  3. E o noticiário é farto. A torcida "organizada" Fanáutica - essa mesma que ninguém chamou para coagir conselheiros - faz reunião no primeiro andar da sede social. E não há nenhuma contestação oficial a essa lamentável notícia. Apesar de os repórteres -seguindo as regras do bom jornalismo - haverem tentado ouvir o presidente.Nesta ocasião, como em várias outras semelhantes, ninguém representa o clube. Parece que se colocou uma "película protetora"(?) no vidro da transparência. Mas, apenas os dirigentes se escondem com as explicações que não têm. Já os fatos negativos, esses "explodem", nos céus alvirrubros, com o barulho e a frequência de um foguetório de São João...

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  4. Torcida Organizada é uma praga em todos os piores sentidos.

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Comentários