Por ROBERTO VIEIRA
A notícia é breve. O maruim é um
mosquito do mangue. Mosquito sedento por sangue humano. A Ilha do Maruim era
uma comunidade pesqueira. Uma ilha situada entre Recife e Olinda.
O
futebol chegou a Pernambuco no início do século XX.
Em
1916, dezenas de equipes se multiplicavam pelos terrenos baldios.
Havia
o Eclair, o Torre, o Peres, o River Plate, o Leão do Norte.
Todos
destinados ao rodapé da história.
Como
já havia o Sport e Náutico.
Como
havia os recém-nascidos América e Santa Cruz.
Doidos
pra ganhar do primeiro campeão estadual: o Flamengo.
O
futebol se vestia de fraque.
Mesmo
o popular Santa Cruz era formado por meninos de bem.
Meninos
dos educandários religiosos da capital.
Pois
bem.
Neste
cenário de Manoel Borba e Dantas Barreto, usineiros e mocambos
Cenário
do Partido Republicano Democrático.
Na
pobre e famélica Ilha do Maruim, entre mosquitos e miséria.
Um
grupo de rapazes da Marin dos Caetés bate bola.
O
nome do time vem daquele time de ingleses que jogou no Brasil em 1910.
O
nome do time vem daquele time paulista fundado também naquele 1910.
Na
lama.
Na
beira do mar selvagem que vislumbra a Olinda centenária no alto.
Entre
os mosquitos que sugam sangue para sobreviver.
Os
jornais anunciam o Corinthians Olindense.
Primeiro
e segundo teams em match.
Seis
e meia da manhã.
Em
pleno Campo do Maroim.
Hoje?
Já
não existe o tal Corinthians olindense.
Olinda
prefere o carnaval ao futebol – sempre.
Hoje?
Resta
apenas o cenário desolador, pobre e africano da Ilha do Maruim.
Os
mosquitos sobreviveram e se multiplicaram.
Assim
como a miséria.
O
futebol?
Morreu
no berço.
O
Campo do Maroim ficou apenas naquelas
cinco linhas de jornal...

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