6 de mar de 2015





Vida...

Na vida é preciso talento, trabalho e sorte.

Pra chutar pro lado certo na hora certa.

25 de janeiro de 1978.

O lateral Jorge Luís acerta contrato com o Náutico.

Vicente e Zuza iam embora.

O atacante Valtinho chegava.

Jorge Luís vinha do futebol carioca.

Nunca foi exatamente unanimidade perante a torcida alvirrubra.

Vivia falando em ir embora.

O futebol local estava uma draga.

Santa Cruz jogando sozinho.

Mas nada indicava que iria acontecer aquele lance.

5 de agosto de 1979.

Domingo, eu sentado nas cadeiras do Arruda.

Doze mil torcedores acompanham o clássico mais modorrento da história.

Sem brincadeira, estava chato pacas.

Nenhum dos dois time teve uma chance sequer de gol.

De repente - e quem foi no banheiro ou olhou na paisagem não viu.

Eis que o nobre lateral esquerdo Jorge Luis recebe a pelota.

Lado oposto ao das cabines de rádio.

Pose de Nilton Santos, olhar maligno.

Jorge Luis recua sem olhar para o goleiro Washington.

Jorge que estava na risca de meio campo.

Na minha frente.

A bola voa pela tarde ensolarada da Veneza Brasileira.

Límpida, precisa, eloquentemente como chutada por Pelé.

Carlos Alberto Rocha acompanha o vôo da esférica.

Drailton não acredita no que vê.

O goleiro Washignton nem tenta dar meia volta da marca do pênalti.

Gollllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O Santa Cruz vence por 1x0.

E eu comecei a aprender que existem coisas que só acontecem com dois times:

Náutico e Botafogo.

* Dedicado ao Mestre André Gustavo Leão





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