Por ROBERTO VIEIRA
'Filho, você anda triste ultimamente?'
Olhar distante na Terra, o menino observa as festas e a miséria.
'O Homem faz suas próprias escolhas, Filho!'
Era verdade.
As marcas em suas mãos de criança traziam lembranças do Homem.
Na Terra, as pessoas corriam nos shopping centers.
Compravam a felicidade no cartão de crédito.
'Eles nos esqueceram?'
O Pai que também era o Filho olhou com olhos do Espírito Santo e respondeu:
'Provavelmente... mas sempre existe a dor e a solidão.'
'Mas foi na solidão que me descobri seu Filho...'
'Pois é, a solidão é um tesouro que entreguei ao Homem. Na solidão, eles descobrem que estão solitários perante o Universo... e que a única esperança reside em seus corações.'
'O tal Papai Noel existe?'
O Pai deu uma de suas risadas espetaculares...
'Só existe um Pai!'
E com calma, o Pai explica:
'Mas a Tua imagem é muito real. Tu revelas ao Homem que ele é mortal. Carne, sangue, ossos e finitude. O Homem não suporta a sua imagem no espelho e criou uma fantasia alegre, bonachona e gorducha.'
E o Pai arremata abraçando carinhosamente seu único Filho:
'Tu não venderias coisa alguma nas lojas de fim de ano...'

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