24 de dez. de 2014




Por ROBERTO VIEIRA


'Filho, você anda triste ultimamente?'

Olhar distante na Terra, o menino observa as festas e a miséria.

'O Homem faz suas próprias escolhas, Filho!'

Era verdade.

As marcas em suas mãos de criança traziam lembranças do Homem.

Na Terra, as pessoas corriam nos shopping centers.

Compravam a felicidade no cartão de crédito.

'Eles nos esqueceram?'

O Pai que também era o Filho olhou com olhos do Espírito Santo e respondeu:

'Provavelmente... mas sempre existe a dor e a solidão.'

'Mas foi na solidão que me descobri seu Filho...'

'Pois é, a solidão é um tesouro que entreguei ao Homem. Na solidão, eles descobrem que estão solitários perante o Universo... e que a única esperança reside em seus corações.'

'O tal Papai Noel existe?'

O Pai deu uma de suas risadas espetaculares...

'Só existe um Pai!'

E com calma, o Pai explica:

'Mas a Tua imagem é muito real. Tu revelas ao Homem que ele é mortal. Carne, sangue, ossos e finitude. O Homem não suporta a sua imagem no espelho e criou uma fantasia alegre, bonachona e gorducha.'

E o Pai arremata abraçando carinhosamente seu único Filho:

'Tu não venderias coisa alguma nas lojas de fim de ano...'




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