8 de out. de 2014




Por ROBERTO VIEIRA

Prezada Dilma,


Jamais imaginei dizer tais palavras algum dia. Após inúmeras companheiras tentativas para investir nosso pouco dinheiro em Cuba e na Venezuela; após elogios precipitados e exacerbados aos inúmeros terroristas e ditadores deste planeta Terra; após escândalos de refinarias, Petrobrás, mensalões e tantos ‘dando que se recebe’ dentro do governo petista, chego a me estarrecer em dizer tais palavras.
Mas eu as digo e escrevo assim mesmo: Obrigado, Dilma!
A classe médica por formação e interesses outros sempre foi individualista e desunida. A presença da morte, da doença e do infortúnio em nossa lida diária produzem efeitos colaterais em nosso coração. Buscamos desenfreadamente a nós mesmos, na busca por uma resposta a todo descalabro que nos leva a conviver em uma realidade que obriga a escolher os pacientes que devemos tratar, na algazarra pobre e mesquinha da saúde pública.
Plenos de sonhos e utopias, abandonamos a faculdade e caímos nesse caos engendrado por governos após governos, por corrupção detrás de corrupção, por entidades que asseguram buscar a saúde, mas almejam a doença da maneira mais hipócrita possível. Bilhões são gastos em salões atapetados do Poder e uma miséria é destinada aos corredores inóspitos dos calabouços chamados de hospitais por este Brasil afora.
Em vez de nos unirmos em prol da independência e da saúde do povo brasileiro, os médicos submergiram nos salários aviltados, nos planos de saúde cínicos e mentirosos, nos programas desengonçados e não profiláticos dos subterrâneos das secretárias e ministério da saúde – eita palavra usada sem propriedade em nosso país, né Dilma!
E seguíamos perdidos no dia a dia quando você chegou e bradou – após meticuloso planejamento, diga-se de passagem:
“Os médicos são os culpados!”
Juro que pensei que ia ficar por isso mesmo. Muita gente já disse isso no passado. Porém, querida Dilma, você foi além! Com ajuda de alguns Iscariotes amigos, você importou médicos de além-mar sem provas que atestassem sua qualificação, passando por cima dos Conselhos de Medicina regulamentados por Juscelino Kubitschek – que também tinha o defeito de ser médico – e instituindo a ditadura por sobre o bom senso universal.
Médico bom, querida Dilma, era médico que dissesse amém a você. 
Tempo que passa. Cansei das receitas e atestados xerografados pelos românticos de Cuba – nada contra eles, tudo contra você. Foi uma maneira esperta de matar dois coelhos com uma só machadada. Perpetrar um programa populista e enviar dinheiro para manter a censura fidelista. Um golpe de mestre, Dilma!
E eis que no meio de tal programa chamado obviamente de MAIS MÉDICOS, você descobre que os MENOS MÉDICOS brasileiros se uniam. A imensa maioria querendo te aliviar desse fardo chamado PODER. Uma quase unanimidade imprevisível, inesperada, irresistível e inquebrantável. Cada qual no seu canto, fazendo sua parte para se desvencilhar desta metástase chamada petismo.
Claro, Dilma! Existiram médicos que se postaram do teu lado. Sempre existem. Procure nos guetos da Segunda Guerra, procure entre os palestinos, procure entre os ianques. Sempre tem quem se bandeia para o outro lado. Faz parte.
Mas a imensa maioria se uniu pela primeira vez em nossa história. O velho individualismo substituído pelo desejo de fazer um país novo, mais livre, menos maniqueísta, mais digno de meritocracia. Um país onde cubanos, venezuelanos e filhos de brasileiros que estudaram lá fora e não conseguem passar nos Revalidas tupiniquins possam ter chance de serem MAIS MÉDICOS por aqui. 
Desde que provem sua competência. 
Como qualquer mortal em qualquer nação civilizada do planeta. 
Por tudo isso, querida Dilma, venho te agradecer. Não fique chateada porque a gente não vota em você. Sei que você não vota na gente. E ficamos elas por elas, tá legal?
Pra terminar, graças a Deus que existem os médicos do Hospital Sírio Libanês. 
Graças a Deus que você não precisou esperar na fila do seu SUS. 
Caso contrário, eu não poderia estar aqui te dizendo OBRIGADO, DILMA!


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