Por
ROBERTO VIEIRA
Didi
tinha vinte e um anos de idade.
Olhou
a imensidão e perdeu a fala.
A
bola cruzada.
Nove
minutos da primeira etapa.
Didi
bate forte.
Osvaldo
não consegue alcançar.
O
primeiro gol do maior do mundo.
Poderia
ter sido do bailarino Dimas.
De
Esquerdinha.
Brandãozinho,
Carbone, Ponce de Leon?
Mas
a bola procurou Didi.
Bola
que conhece o futuro do craque.
Didi
e o Maracanã se tornariam íntimos.
Compadres.
Didi
que conduziria o futebol brasileiro ao título mundial.
Oito
anos depois daquele gol.
Didi
que nem constava dos planos de Flávio Costa.
Didi
que marcaria seu primeiro gol pela seleção.
Contra
o famigerado Uruguai.
Dois
anos depois.
Longe
do Maracanã.
Neste
sábado.
Washington
relembrou Didi.
Marcou
o primeiro gol no novo Maracanã.
De
cabeça.
O
Brasil já é pentacampeão do mundo.
Potência
emergente.
Washington
venceu cardiopatia, dúvida e o tempo.
Didi
não estava nas tribunas.
Mas
deve ter aplaudido o novo templo.
Caro,
incompleto e polêmico templo.
Como
na inauguração de 1950.
Dutras,
ângelos e marins?
Passarão.
Didi
e Washington?
Passarinhos...

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