23 de jun. de 2012







Por ROBERTO VIEIRA



Albert Camus anda sem inspiração.

O Alger Republicain fechou.

Melhor deixar Argel.

Paris.

Zinedine está aposentado.

O craque sentiu o peso da idade.

A bola lhe fugindo aos pés.

O quarto abafado no verão francês.

Belcourt.

Camus reconhece o antigo jogador na tarde parisiense.

Zinedine sorri em sua direção.

A Argélia surge nas lembranças da pobreza.

Tuberculose.

Sentam pra conversar.

Camus escuta as lembranças do craque.

Todo problema longe dos gramados consiste em matar o tempo.

Quanto mais pensava?

Mais tirava um gol da memória.

Um drible na história.

Camus fica sério.

Zinedine explica filosófico.

Um jogador que tenha jogado apenas uma partida.

Tem lembranças para o resto de sua vida.

Dois estrangeiros nas ruas de Paris.

Camus foi goleiro.

Mas nunca conseguiu defender um chute de Zinedine.

O companheiro dos campos era mortal.

Nos dias de sol africanos.

A bola morria invariavelmente nas redes.

Zinedine se despede.

É seu aniversário de quarenta anos.

Camus observa o vulto se afastando na Ponte Saint-Michel.

Dois argelinos perdidos na França.

O Massacre de Charonne no coração.

Camus lembra que Francine está esperando em casa.

Subitamente, ele sente vontade de escrever sobre o velhoamigo.

Cabília.

O nome de Zinedine não pode ser usado.

Zidane também não.

Camus beija a esposa.

Coloca o papel na velha máquina de escrever.

Mersault?

'Hoje o futebol morreu...'







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