19 de jun. de 2012







Por ROBERTO VIEIRA



Zózimo Alves Calazans foi um baiano inglês.

Topete.

Jogava com a classe dos lordes ingleses do século XIX.

Um Domingos da Guia aténas cores do Bangu.

Bicampeão do mundo pela seleção.

Craque e catedrático da bola.

Zózimo marcou um único gol pela seleção principal.

1956.

No balanço de Strauss.

Na vitória por 3x2sobre os austríacos em Viena.

Austríacos, terceiroscolocados na Copa de 1954.

Até aí tudo bem.

Ou não?

Para espanto e horrordos arianos brasileiros.

Os jornais austríacospublicaram ironicamente:

'Os negros do Brasil marcaram oito gols'.

Pra que foram dizerisso?

No dia seguinte, aFolha da Manhã rebatia o desaforo irritada.

Os jogadores negros doBrasil eram civilizados.

Comiam de talher.

Tomavam banho.

Escovavam os dentes.

Sabiam seu lugar.

O Brasil era branco.

Aqueles negros eram anossa exceção cultural.

Pena que a seleção de56 não era tão branca assim.

Havia Djalma Santos,Zózimo, Didi, Canhoteiro, Escurinho e Sabará.

Meio time.

Não tinha Gilmar e DeSordi que desse jeito.

O golpe doeu fundo naalma tupiniquim.

Aproveitando-se das derrotas para italianos e ingleses.

A CBD fez um relatório confidencial.

Não se podia dançar valsa com tanta miscigenação.

Tirem Djalma, tiremZózimo, tirem quem for negro do time titular.

Só ficou Didi para 58.

Zózimo teve que esperar a queda do muro do racismo.

Muro que ruiu com Pelé e Djalma Santos.

Da lembrança daquele gol solitário diante dos austríacos.

O outro gol 'negro' foi de Didi.

Ficou apenas a mancheteamarelada pelo tempo.

O relatório sumiu.

A Áustria desapareceudo mapa do futebol.

E Zózimo se vivofosse.

Completaria 80 anos nesse dia 19 de junho.

Filho de Gandhi ao ritmo do DanúbioAzul...





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