Por ROBERTO VIEIRA
O futebol tem dessas coisas.
Pede-se ao garoto Neymar na noite de Libertadores.
Neymar em pele de Pelé.
Pelé que não perdia o sono em jogo contra o Timão.
Pois é.
Por aí se vê a loucura do torcedor santista.
Por aí se vê a dimensão histórica do Rei do futebol.
Com Pelé em campo.
O torcedor dormiria tranqüilo.
Impávido.
Colosso.
Podia já fazer as compras da patroa com o dinheiro da aposta.
O Santos entraria no Pacaembu e meteria dois, três, mil gols.
Podia comprar o perfume francês.
O candelabro italiano.
O rabo de peixe americano.
Mas o Neymar não é o Pelé.
Aí fica tudo mais complicado.
Ou não.
Pois um profeta meio embriagado foi visto no Brás.
Dizendo que o final dos tempos anda próximo.
O inacreditável vai ocorrer.
Na frente dos olhos dos incrédulos mortais.
Paulo abraçará Fernando.
Cachoeira amanhecerá sertão.
O Rei ressurgirá no dia de Santa Margarida.
Matando no peito.
Amansando na coxa.
Estufando as redes do Adenor.
Mas o Brás inteiro já sabe.
Isso é profecia de infiel.
Neymar em pele de Pelé?
Não acredito.
Já se foi o tempo das dez pragas do Egito...

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