20 de jun. de 2012







Por ROBERTO VIEIRA



O futebol tem dessas coisas.

Pede-se ao garoto Neymar na noite de Libertadores.

Neymar em pele de Pelé.

Pelé que não perdia o sono em jogo contra o Timão.

Pois é.

Por aí se vê a loucura do torcedor santista.

Por aí se vê a dimensão histórica do Rei do futebol.

Com Pelé em campo.

O torcedor dormiria tranqüilo.

Impávido.

Colosso.

Podia já fazer as compras da patroa com o dinheiro da aposta.

O Santos entraria no Pacaembu e meteria dois, três, mil gols.

Podia comprar o perfume francês.

O candelabro italiano.

O rabo de peixe americano.

Mas o Neymar não é o Pelé.

Aí fica tudo mais complicado.

Ou não.

Pois um profeta meio embriagado foi visto no Brás.

Dizendo que o final dos tempos anda próximo.

O inacreditável vai ocorrer.

Na frente dos olhos dos incrédulos mortais.

Paulo abraçará Fernando.

Cachoeira amanhecerá sertão.

O Rei ressurgirá no dia de Santa Margarida.

Matando no peito.

Amansando na coxa.

Estufando as redes do Adenor.

Mas o Brás inteiro já sabe.

Isso é profecia de infiel.

Neymar em pele de Pelé?

Não acredito.

Já se foi o tempo das dez pragas do Egito...


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