Por ROBERTO VIEIRA
Gilberto Gil amava Leça.
Leça que defendia as cores do Bahia.
Leça lenda viva do futebol pernambucano.
Contratado a peso de ouro pelo Bahia.
Após deslumbrar os baianos no Campo da Graça.
Gil observa os céus de Salvador.
Véspera dos 70 anos.
Gil lembrava de Leça na prisão.
Cabelos raspados.
Fome.
Gil recorda o carnaval em 1960.
Bahia, campeão brasileiro de 1959.
Gil pelas ruas de Salvador no carnaval da vitória.
Gil que poderia ter fugido.
Mas preferiu acompanhar seu amigo Caetano nas masmorras.
Num dos mais belos gestos de amizade da nossa história.
Pois é.
Sob a mira dos fuzis.
Gil lembrava de Leça e do futebol.
Esotérico.
O Brasil não era o Brasil dos sonhos de Gil.
Gil foi solto e partiu para London.
Caetano chorando de saudade.
Gil curtindo Rolling Stones.
Caetano perdido em Abbey Road.
Gil descobrindo Bob Marley.
No woman no cry.
Gil quis falar com Deus.
E falou.
Nada, nada, nada, nada, nada, nada.
Do que Deus pensava escutar...


Eu sempre tive curiosidade de ouvir esta musica em que Gil homenageia o antigo paredão esmeraldino Leça... nunca achei.
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