19 de jan. de 2009





[IMAGEM]

Por ROBERTO VIEIRA           






Chegaram aos milhares.

Candangos.

Famintos.

Nas costas e nos bornais, milhares de léguas caninas.

Fiéis.

Romeiros tricolores.

Chegaram no templo iluminado de luz e saudade.

Alguns choravam.

Outros, se benziam.

Inocentes do pecado original.

Que foi transformar em pó o que foi feito do barro.

Erguido pelo sopro do suor.

E a noite se fez dia.

E o dia nasceu pleno de esperança em um outro dia.

Dias de fartura.

No deserto de sete vezes sete torneios sem vitória.

Toda honra e toda glória.

Agora e para sempre.

Senhores, senhoras e crianças de pés descalços.

Insanos.

Santos.

Olhos encardidos e nublados.

Vendo aquilo.

Com o bolso cheio de vitórias.

Porém, vazio de paixão.

Um senhor que da fé já se esquecera, murmurou:

Abençoados os que tem sede de fé.

Pois deles é o Reino do Arruda!


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