Por MARCELO TORRES*
A maioria da torcida brasileira, hoje, quer assistir à semifinal entre Chivas e Inter. Até os gremistas querem assistir - para "secar" o rival.
Mas a tevê aberta vai empurrar goela abaixo do torcedor o jogo de um clube do Rio (é sempre assim). O jogo de hoje em rede nacional é Atlético X Vasco.
Se fosse o Grêmio, ou o Galo ou a Raposa jogando uma semifinal de Sulamericana, também seria a mesma coisa, ou seja, não seria transmitido.
No entanto, se o jogo no México fosse de um dos quatro clubes do Rio ou de um dos três da cidade de São Paulo, seria transmitido para todo o Brasil.
Isso mostra como são formadas (forjadas) as torcidas nacionais.
No Brasil, os únicos clubes que têm possibilidades de conquistar torcedores nacionais são os quatro do Rio e os três de São Paulo (excluo até mesmo o Santos).
É impossível um clube fora do eixo RJ/SP conquistar torcedores além do seu estado.
O trio Inter-Grêmio-Cruzeiro reúne dois títulos mundiais, cinco Libertadores e 21 títulos nacionais.
Esse trio, porém, não tem torcedor nacional. Nenhum, nenhum, nenhum.
O que os olhos (do torcedor) não vê o coração (dele) não sente.
O que não é visto (time) não é desejado.
Que amazonense, que paraibano, que potiguar pode torcer pelo Inter se nunca vê o Inter (a não ser quando joga com um clube do Rio)?
E olha que eu sou baiano, moro em Brasília e torço unicamente pelo Vitória.
Mas queria ver o jogo do Colorado, que é o único clube brasileiro que pode ganhar um título internacional este ano.
Inter que foi um dos dois primeiros clubes que eu vi pela tevê, na final de 1976, contra o Timão.
Ou seja, eu poderia ser um baiano colorado a partir daquele dia, pois o Inter foi campeão - e até tentei ser -, mas dali em diante eu só fui ver o Inter (pela tevê) em 1979, e aí já era tarde.
Aí eu já era um torcedor do Flamengo, por causa da Rádio Globo, e do Vitória, por meu irmão mais velho.
Um menino rubro-negro no Rio e na Bahia.
Mas depois, questionando essas e outras coisas, resolvi torcer apenas pelo clube da minha aldeia.
E aí contrariei um dos hinos mais bonitos, o hino do Flamengo.
Uma vez Flamengo... Nunca mais Flamengo.
Aliás, fui Flamengo, sim, quando ele representou o Brasil em torneios internacionais (inclusive no fatídico jogo contra um certo time mexicano).
Porque torço por qualquer clube que represente o nosso país.
E o Brasil hoje é vermelho, do simpático Inter de Porto Alegre.
*Marcelo Torres, jornalista, baiano, mora em Brasília, torce pelo Vitória.

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