21 de ago. de 2008





A derrota nos olhos do melhor jogador do mundo?

Eu já vi esse filme.

No dia 7 de julho de 1974. Um dia depois do meu aniversário.

Na sala da casa em Limoeiro eu via, incrédulo, as ondas de ataques holandeses arrebentando contra a muralha alemã.

Cruyjff correndo, correndo, correndo sem fugir da marcação de Berti Vogts.

O suor derrotando a arte.

Hoje foi o dia de Martha.

Vão dizer o de sempre.

Joga bonito, mas perde no final.

Como se uma menina nascida em Dois Riachos já não fosse uma vencedora por chegar tão longe de casa com uma bola nos pés.

O ser humano não perdoa o segundo lugar.

Mas desde aquele domingo de sol e chuva, uma verdade permanece incólume.

A derrota pode ser coberta de honra. Um berço de lágrimas. Um testemunho de luta.

Sendo assim, a derrota é uma medalha de ouro que carregamos pela vida afora.

Triste é a derrota servil. Essa derrota que acostuma o ser humano aos becos da vida, aos arredores da insignificância.

Essa derrota que alguns jogadores e algumas pessoas consideram corriqueira.

Tão corriqueira que se torna um hábito.

Hábito que faz o monge. Muitas vezes, vermelho e branco... Outras vezes sete anões.



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