José Porfírio e Gentil Cardoso
Em 1960 o Náutico venceu os dois primeiros turnos e parecia caminhar tranquilamente para o título.
Porém Santa Cruz e Esporte reagiram e após uma derrota para o rubro-negro a conquista parecia escapar por entre os dedos.
Neste momento o diretor do departamento autônomo de futebol José Porfírio tomou uma decisão histórica: Contratar o técnico Gentil Cardoso, o Moço Preto.
Em um contato telefônico no dia 9 de novembro com o treinador ficaram acertadas as bases contratuais.
Gentil receberia 400.000 cruzeiros de luvas, 50.000 mensais e uma bonificação de 250.000 cruzeiros caso ganhasse o título.
Dois dias depois, às 16h15min, chegava no vôo 608 do Loide Aéreo o técnico campeão de 1959 pelo Santa Cruz.
Ao descer da escada do avião no aeroporto dos Guararapes ele foi logo declarando: ‘Cheguei para ser campeão’.
O Dr. Bráulio Pimentel conduziu o amigo ao Hotel Regina.
O mitológico gentil Cardoso era recifense de origem, porém fez a sua fama no futebol carioca.
Costumava dizer que a sua maior alegria foi ter treinado o Fluminense em 1945.
O primeiro ‘homem de cor’ a adentrar as dependências do aristocrático clube das Laranjeiras, rompendo um preconceito ancestral.
O primeiro jogo como técnico foi no mínimo curioso.
Após o Náutico fazer 1x0 com Vasconcelos, os jogadores do Íbis foram caindo em campo, até que aos 20’ do segundo tempo a partida teve de ser interrompida porque o Pássaro Preto tinha menos de sete atletas.
A melhor-de-três decisiva iniciou-se no dia 11 de dezembro com o Náutico vencendo o Santa Cruz por 1x0 gol de Tião.
Três dias depois, o segundo jogo nos Aflitos.
O Náutico alinhou Waldemar; Paulinho e Copolilo; Carlos Saz, Givaldo e Hélmiton; Tião, Aguinaldo, China, Geraldo e Fernando.
O adversário tricolor formou com Agostinho; Roberto e Nagel; Múcio, Luiz e Dodó; Gildo Hamilton, Lua, Biu e Elmano.
O primeiro tempo teve chances para ambos os lados, porém o marcador se manteve inalterado.
Mas aos 2’ do segundo tempo China inaugura o placar.
Com 16’ a jogada mais bonita do jogo, Múcio cabeceia e Waldemar salva milagrosamente.
24’ e Lua empata para o Santa Cruz.
Pouco depois aos 32’ Geraldo é derrubado na risca da grande área e o juiz carioca Gama Malcher marca fora.
Gentil entra em campo e discute com o árbitro inutilmente. Mal tem tempo de ficar preocupado, aos 35’ Tião desempata e o Timbu segura com unhas e dentes o resultado.
Campeão!
O título de 1960 é um divisor de águas na história alvirrubra.
O grande José Porfírio comandando o grupo dos Josés entre os quais José Carlos Dourado, José Fernandes, José Lessa e José Cordeiro de Castro rompeu paradigmas.
Ali foi dado o pontapé inicial para as glórias do Hexacampeonato. Para a transformação do Náutico em um clube de massa.
Para o saudoso Gentil Cardoso uma conquista inesquecível.
Novamente ele escrevia um trecho glorioso na história do futebol brasileiro.
Pois como costumava repetir: ‘Quem desloca, recebe. Quem pede tem preferência!’.
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