
O que esperar da prorrogação?
Um chute preciso e mortal de Neto.
Um título para a história.
A Fúria?
Agora é brasileira!!!!!!!


Por ROBERTO VIEIRA
As Ilhas Salomão são um país pobre e dividido etnicamente.
Um país analfabeto.
Uma das poucas alegrias nas Ilhas Salomão são os garotos de Kurukuru.
Os campeões de Futsal da Oceania.
Campeões que foram massacrados pelo Brasil de Falcão: 21 x 0.
Sem dar um pontapé. Sorrindo e tirando fotos com seus ídolos brasileiros.
Nesta segunda-feira, os garotos de Kurukuru sofreram a maior goleada da história dos mundiais de Futsal: 31 x 2 contra a Rússia.
Dignos.
Correndo do início ao fim do jogo. Heróicos.
Lembrando que do outro lado do mundo alguém torcia por eles.
Pergunto o que aconteceria a um time brasileiro ou argentino perdendo de 31 x 2.
Haveria sangue em campo.
Gritos, socos e pontapés. Um conflito generalizado.
Os garotos de Kurukuru chegaram no Brasil para aprender sobre o Futsal.
Para compreender a tática e a técnica dos melhores jogadores do mundo.
Mas em sua simplicidade, em sua luta para continuar de pé, em seu respeito pelos torcedores presentes ao Ginásio Nilson Nelson.
Em sua ingenuidade repleta de honra.
Os garotos de Kurukuru terminaram por ensinar uma profunda lição de respeito e humildade.
Duas palavras que vão muito além das quatro linhas de uma quadra de Futsal.
Muito além do que se convencionou chamar de esporte...

Por ROBERTO VIEIRA
O que seria de Batman sem o Coringa?
Um menino mimado brincando de morcego pelas ruas de Gothan City.
O que seria de Super-Homem sem Lex Luthor?
Um alienígena sem função na Terra.
Só existe o herói quando existe o perigo imediato, o inimigo supremo.
Esquerda e direita.
Capitalismo e comunismo. Noite e dia. Atlético e Cruzeiro.
As goleadas da seleção brasileira de Futsal no campeonato mundial tornam-se banais diante da fragilidade dos adversários.
Exigem acrobacia dos locutores para manter telespectadores acordados pelas manhãs de outubro.
Quarenta gols em três jogos. Um contra.
Como se fosse a Hungria da década de 50 no futebol de campo.
Hungria que marcou 25 gols em seus quatro primeiros jogos no Mundial da Suiça.
Mas a Hungria enfrentou Alemanha, Brasil e Uruguai. Ossos duros de roer.
Nada que se compare com Ilhas Salomão, Japão e Rússia.
Alguém dirá que existe a Espanha. Que o Brasil não é campeão mundial desde 1996.
Mas a Espanha só existe com o sotaque tupiniquim de Daniel e Marcelo. A Russia com a ginga de Pula e Cirilo. A Itália com Adriano Foglia.
Sem eles, o Futsal permanece um esporte de um time só. Sem inimigos.
Um jogo com prazo de validade.
O Futsal ainda procura a sua kriptonita.