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3 de abr. de 2013






Por ROBERTO VIEIRA


Suprema maldade.

Um lateral de 18/19 anos chega na seleção brasileira.

Paraibano.

Militando no futebol pernambucano.

Parte da mídia local faz muchocho.

'Ele não merecia a convocação!'

Os pernambucanos são assim em sua maioria.

Não admitem a virtude conterrânea.

De tal forma que.

Ademir, Vavá, Almir, Rivaldo foram fazer a festa dos olhos d'além.

Mas existe um detalhe canhesto.

A mesma mídia que apedreja.

Esquece da maldade da mídia de lá.

Dos donos do Poder central.

Nado barbarizava.

Só foi convocado quando assinou com o Vasco.

Manga agarrava até pensamento.

Falavam nele para a seleção quando jogava em Pernambuco.

Mas só vestiu a camisa da CBD quando atuou no Botafogo.

Givanildo brilhou.

E foi sacado pelo Capitão Coutinho sem mais nem menos.

Nunes foi engessado.

Bita, meu Deus!

O homem do rifle que fazia mais gols que o Rei.

Sequer foi cogitado.

Marinho Chagas, então?

Brincou de jogar bola nos Aflitos.

Foi ser lembrado depois de 45 minutos no alvinegro da estrela solitária.

Portanto, meus vetustos senhores que não elogiam o jovem Douglas.

Lamento profundamente.

Douglas é o primeiro alvirrubro convocado para a canarinha.

E quando um paraibano chega na seleção.

Jogando em time pernambucano.

Longe demais das capitais e dos capitais.

Eu me rendo de joelhos e aplaudo.

Fanático confesso.

Porque se Douglas jogasse no Grêmio.

No Internacional.

No Cruzeiro.

Diriam em unanimidade.

'Ele é genial! Ele é genial! Ele é genial!'

Parodiando o livro sagrado.

Ninguém é craque na sua própria terra dos canaviais.

Força, Douglas!

Jogue o que você sabe.

Nessa vida sofrida.

Você já é bola de ouro...




6 de fev. de 2013







Por ROBERTO VIEIRA



Era um menino levado.

O colégio Americano Batista que o diga.

Mas com a bola nos pés.

Prodígio.

Digno sucessor de Ademir e Vavá nos juvenis do Sport.

Distrito Federal.

Um mísero jogo no time principal da Ilha.

Almir olhava o Corcovado.

As mulheres e o Vasco da Gama.

Bellini foi ser seu padrinho.

Barbosa conversava sobre o Recife.

Almir negou a Copa de 58.

Preferiu a Cruz de Malta.

A pancadaria andava solta.

Tentaram quebrar Pelé.

Tentaram quebrar Almir.

Os meninos aprenderam a se defender.

Pelé quebrou meia dúzia.

Almir quebrou o Bangu, o Olaria e o Milan.

Mas Pelé tinha cara de bom moço.

Mineiramente.

Almir era pernambuquinho até a medula.

Não aceitava cara feia.

Possesso era pouco pra o Pelé Branco.

Bandido?

Herói?

Craque?

Delinquente?

Todo mundo tem uma definição para Almir.

Enquanto isso.

O Santos esquece que lhe deve um bicampeonato mundial.

A seleção?

Esquece que lhe deve uma surra nos uruguaios.

O futebol?

Finge desconhecer as denúncias de doping e maracutaias na sua biografia.

Como se Almir.

Fosse o menino mau.

Na imensa tribo de escoteiros do futebol pentacampeão do mundo...