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28 de jul. de 2013






Por um destes motivos insondáveis do destino, a Bahia caiu de amores pelo América e vice-versa. A história teve início no dia 4 de dezembro de 1932, quando o Sport Clube Bahia venceu o América por 2 a 1. O tricolor baiano tinha apenas um ano de vida, mas já nascera campeão, resultado da fusão dos atletas do Clube Bahiano de Tênis e da Associação Atlética da Bahia. O esquadrão da avenida Princesa Isabel virou tormento dos clubes pernambucanos. Em 1932, o Bahia bateu a seleção pernambucana (5x3), Sport (2x1), Náutico (2x1), Santa Cruz (3x2) e até o Combinado Náutico/Sport (3x2). A única derrota do Bahia ante clubes da terra de Frei Caneca naquele ano foi a goleada sofrida por 3x0 para o Santa Cruz.

A partir deste primeiro encontro, o América refez o caminho do Bahia em sentido contrário, passando a visitar a Bahia com assiduidade. O advento do jornalista Hélio Pinto – americano de carteirinha – aliado ao título magistral de 1944, ensejaram a vitoriosa excursão de 1945, momento em que Julinho e Capuco só não fizeram chover em Salvador.

Na estreia, o América bateu por 2x1 ao Galícia, time da colonia espanhola de Salvador. Tal foi o impacto da vitória e do futebol apresentado, que no dia 15 de março de 1945, o América recebe convite para enfrentar o clube mais popular da Bahia naqueles tempos, o Ypiranga de Salvador. A equipe formou com Leça; Deusdedith e Galego; Pedrinho, Capuco e Rubens; Zezinho, Julinho, Djalma, Edgard e Oséas. O Ypiranga foi escalado com Muniz; Pitangueira e Gregório; Lourenço, Ferreira e Catita; Americano, Brás, Palito, Velau e Isaltino. Djalma bate o centro às 21:50 e o América se lança ao ataque, o Ypiranga equilibra as ações quando aos 5 minutos Djalma arremata com violência, Muniz rebate e Zezinho inaugura o marcador. Os baianos partem em busca da igualdade no marcador, conseguida através de um petardo de Isaltino. Intervalo. O empate não satisfaz o América.

Logo no início da segunda etapa, Julinho serve a Zezinho que marca seu segundo gol, colocando o América novamente em vantagem no marcador. A pressão pernambucana não diminui, Djalma cede seu lugar a Valdeque, o qual não demora a encontrar  Oséas cara a cara com Muniz: América 3x1. Quase meia-noite na capital baiana. O árbitro Dantas Correia dá por encerrada a peleja.

No dia 17 de março, foi a vez do América travar batalha contra o Bahia, no clássico dos campeões estaduais de 1944. O Bahia era calo no sapato alviverde desde 1932. Para sorte dos baianos, Djalma se machucara no jogo contra o Ypiranga, deixando o comando do ataque aos cuidados de Valdeque – bom de bola, mas sem o faro de gol do artilheiro do certame pernambucano. O retorno de Astrogildo na meia cancha era boa notícia. Mas naquele dia, o meio campo do América foi anulado pelo sangue argentino de Dante Bianchi. Bianchi que se tornaria, no futuro, técnico e símbolo do esquadrão alviverde pernambucano.
Sob a batuta de Bianchi, sua picardia e classe, o Bahia vingou a torcida local com um sonoro 3x0. 

Fernando, Louro e Velau balançaram as redes de Leca e um craque chamado Maneca enlouqueceu o jovem Pedrinho. Festa nas arquibancadas. Abraços no final do amistoso. Cabe recordar que o Bahia era uma autêntica seleção baiana nesse dia. Isaltino e Maneca oriundos do Galícia e Velau, craque do Ypiranga.
Inicialmente marcado para a noite do dia 21 de março, o prélio diante do Vitória foi adiado para a noite do dia 22 de março, no Campo da Graça. O rubro-negro vinha de vitoriosa excursão aos estados vizinhos, onde batera por 8x1 o Sergipe. Aproveitando-se da viagem, o Vitória trazia para estrear diante de sua torcida o meio-campista alagoano, Joel. Com Pirricha e Siri no ataque, além de Isaltino, o qual jogara pelo Ypiranga no segundo jogo do América em Salvador, foi surpresa que o placar ficasse mesmo no 0x0. Os goleiros Leça e Severino, duas barreiras formidáveis ao grito de gol.

Cansado pela sequencia de jogos, o América aceitou uma revanche contra o Bahia. Não parecia boa ideia, mas os baianos ansiavam por nova exibição do quadro pernambucano. Julinho era a sensação do momento. Não sem hesitação, o América foi a campo. E terminou o primeiro tempo vencendo por 1x0, gol de Edgard. Mas na segunda etapa, as pernas já não obedeciam ao cérbero, Leça foi impotente para impedir os gols de Zéhugo, Jorge, Maneca, Velau e Camerino. Valdeque deixou sua marca, porém o marcador do Campo da Graça estampava cruéis 5x2.

Prova da grandeza do América, os jogadores do Bahia foram carregados nos ombros pelas ruas de Salvador. Retrato inconteste do respeito ao adversário valoroso derrotado no campo de batalha.

O deslumbramento entre torcedores do Vitória, Ypiranga, Galícia, Bahia e Botafogo levou o América a homenagem inusitada, presente imortal ao público da Boa Terra. Com o Campo da Graça lotado, os jogadores entraram em campo antes da última peleja, uniformizados de forma antológica: cada um deles com as cores de um clube baiano. Puxando a fila, o entusiasmado Hélio Pinto, não cabendo em si de alegria. A imagem diz muito mais sobre a paixão do América e do povo baiano do que mil palavras.

O Bahia não se fez de rogado. Contratou o extraordinário arqueiro Walter Leça para suas hostes. Leça que se tornaria o maior goleiro da história do campeão soteropolitano e ídolo de um menino que adorava música e futebol: Gilberto Gil...  

7 de abr. de 2013





4 de abr. de 2013





Irmão de Tará.

Estrela do Náutico.

Pingo de Ouro do Fluminense.

O medo percorreu a mente de Orlando em 1945.

Meniscos.

Seria o fim?

Mas a cirurgia com os médicos Leite de Castro e Carlos Leite

- Carlos, homônimo do nosso amigo e Mestre do blog.

Foi show de bola.

Orlando voltou ainda melhor.

A tempo de marcar o primeiro gol de bicicleta.

Na história da seleção brasileira...





11 de fev. de 2013






Para mais informações sobre Mitotônio:

https://parazinet.wordpress.com/2010/02/22/resgate-da-historia-local-mitotonio/

15 de nov. de 2012







Trigésimo aniversário do América. O dirigente Rubem Moreira olhou para os setenta e dois mil cruzeiros a sua frente. Há dezessete anos, o América não sabia o que era um título estadual. Rubem estava tenso. Ao seu lado estavam os irmãos Abreu e Lima, Benjamin Gonçalves, Augusto Gomes, João e José Moreira, Jaime Loio e Manoel Costa.

Cadê Capuco, c...?”

O pivô Capuco estava em Pirapora, Minas Gerais.

Desprezado pela Juventus de São Paulo, Capuco recebera dinheiro do América com ordens de retornar da capital paulista. Em vez de comprar a passagem, ele mandara toda a quantia para a esposa em Recife. Sem um tostão no bolso, Capuco dormia nas ruas de Pirapora pedindo mais grana ao América.

Nelsinho, ponta-direita do América-RJ havia sido oferecido. O arqueiro Gerin, revelação do norte do país também. Gerin viria para a tarefa inglória de ser reserva do mítico Leça, mas o América se encantou mesmo foi com Djalma, atacante do Dolaporte paraibano.

Mandem buscar o Capuco, p...!”

Capuco era craque e tinha uma legião de fãs em Recife. Do miolo mole dele os irmãos Moreira saberiam cuidar. Quem seria o técnico?

Sherlock, a gente está disposto a te pagar cinco mil de luvas e mil cruzeiros por mês!”

Mas Sherlock, apelido do antigo jogador do Santa Cruz, Argemiro Félix de Sena, preferia ser juiz de futebol. E indicou Álvaro Barbosa, técnico pouco conhecido, para dar o título que o América tanto sonhava. Cinco anos antes, Barbosa havia brilhado na zaga americana e o seu nome, identificado com as cores esmeraldinas serviram de passaporte para a aprovação de Rubem Moreira.

Deusdedith chegou pra compor a zaga impecável com Lucas; Leça era Leça - e quem tinha Julinho na equipe sempre podia almejar ao título. Porém, o Santa Cruz despacha o América na largada do Torneio Início, gols de Tico-Tico e Renato para os tricolores, Djalma descontando de pênalti para os esmeraldinos. O Náutico seria o campeão do Torneio Início, disposto a retomar o comando do futebol pernambucano.
Rubem Moreira ficou preocupado. Por pouco tempo. Pra quem acompanhava futebol com olhos de precisão, as primeiras partidas do certame deixaram boa impressão do América. O campeão do Centenário empata em 2 a 2 com o Santa Cruz. Uma semana depois, outro empate, desta vez em 1 a 1 com o Sport com o destaque da partida sendo o arqueiro Manuelzinho do Leão. Manuelzinho que executa meia dúzia de milagres.

Na equipe do América, Natal ocupou a vaga de Deusdedith no segundo jogo. O meio campo com Pedrinho, Capuco e Rubens jogou o fino. Mas era no ataque, com Elihimas ou Zezinho, Julinho, Djalma, Edgar e Oséas, que residia a força capaz de desequilibrar os jogos mais difíceis.

Como o 3 a 1 em cima do Náutico de Tará e Orlando Pingo de Ouro no dia 7 de maio de 1944. O América marcando 1 a 0 no primeiro tempo com Oséas, cabendo a Djalma ampliar aos 4 minutos da segunda fase. Quando Oséas decretou 3 a 0 aos 25 minutos, a torcida alvirrubra tomou o caminho de casa. Poucos viram Tará diminuir o escore no minuto final da peleja.

Mais três vitórias irrepreensíveis sobre Flamengo, Great Western e Portela e o América faturava o primeiro turno com ares de favorito ao título. Dois triunfos espetaculares na volta para o segundo turno: 4 a 1 sobre o Santa Cruz de Guaberinha e 3 a 1 no Sport de Pitota e parecida que a taça já tinha dono.

Foi quando veio o primeiro revés. Djalma deixou três vezes a bola no barbante do arqueiro alvirrubro Max. Entretanto, Orlando e Petrônio estavam impossíveis. No mais eletrizante jogo do campeonato, o Náutico bate o América por 5 x 4 nos Aflitos. Náutico que leva pra casa o segundo e o terceiro turno – vencendo no último dia de 1944, em pleno Réveillon, o América novamente por 2 a 0.

Rubem Moreira não dormiu durante o mês de janeiro de 1945. O regulamento apontava uma partida extra entre Náutico e América. O Diário da Noite, do Rio de Janeiro, anunciava o interesse do Fluminense por Orlando. Orlando que exigia 60 mil cruzeiros de luvas – uma pequena fortuna na época. O Fluminense desejava acabar com a alegria do Flamengo de Valido. O Náutico bota as mãos na cabeça. Sem Orlando, as coisas podiam se complicar. Neste clima, o primeiro Clássico da Amizade decisivo termina empatado em 1 a 1.

Djalma abriu o marcador aos 35 minutos do primeiro tempo. O América se fechou nas mãos de Leça. Edvaldo teve a chance de empatar em uma penalidade máxima. Mas a bola passou por cima do travessão. O Náutico insiste – Orlando iguala tudo aos trinta minutos da etapa final. A pressão aumenta. No instante final, Tará desvia de cabeça, o couro vence Leça, vai entrando, quando Lucas salva em cima da linha.
Outro jogo é marcado para a semana seguinte. E no dia 4 de fevereiro de 1945, a sorte muda de lado, enquanto o General Fulgêncio Batista, antigo ditador cubano, bate papo no Aeroporto dos Guararapes com Etelvino Lins.

O ponteiro Plínio, antigo craque da seleção pernambucana, abre o marcador para os alvirrubros aos 42 do primeiro tempo. No meio-campo, Saleitão substituía Rubens. O artilheiro do campeonato, Djalma, atua na direita no lugar de Zezinho com Valdeque no comando do ataque americano. E foi justamente Valdeque quem cavou um pênalti, dividindo a bola com Mário Ramos. Edgar bate e estufa as redes de Max.

É quando aparece o talento do craque que desequilibrou o certame. Julinho invade a área e vira o jogo: 2 a 1. A torcida nem tem tempo de comemorar. Tará empata novamente: 2 a 2. Novo empate? Não pra quem tem Dr. Julinho no time. Aos 40 minutos finais, Julinho deixa Célio Araraquara na saudade: América 3 a 2. 

O campeonato começa a mudar de endereço. Tem jornal que erra a manchete, informando que caiu o último invicto do torneio, esquecido que o Náutico não era mais invicto há muito tempo. Desde o primeiro turno.

América e Náutico seguem para a melhor-de-três. O Náutico perdera a vantagem inicial. O América segue embalado com promessa de um bicho milionário: mil cruzeiros pra cada jogador pelo título.

Jogo noturno nos Aflitos. 9 de fevereiro. Árbitro Belgrano dos Santos, carioca. Pela primeira vez um estadual é decidido com juiz de fora do estado. Djalma machucado – Valdeque segue resolvendo as partidas. Aos 32 minutos aproveita bobeada Timbu e abre o placar. Após o intervalo, Julinho encontra Oséas livre: 2 a 0. A cidade não acredita no que seus olhos testemunham.

No Distrito Federal, João Cabral de Melo Neto faz até promessa. Orlando está fora dos jogos finais. Djalma, artilheiro do estadual, também. Os irmãos Tará e Isaac se perdem na marcação de Lucas e Deusdedith. Oséas, Zezinho e Valdeque fazem a festa no dia 18 de fevereiro de 1945. Ilha do Retiro.

O dia em que Rubem Moreira se tornou o homem mais feliz deste mundo. 


18 de dez. de 2008



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Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA


O baú de Valdir Appel não é coisa deste mundo. Começa que tem recortes e fotos de antes dele nascer. Herança do pai ou do tio, baitas goleiros como ele? Ou mania de quem leva as horas de ócio a buscar coisas do passado para fazer bonito o presente? Um dia ele me mandou a reprodução de uma reportagem da extinta e saudosa revista Esporte Ilustrado, do Rio, contando a história do Fla-Flu do Recife. Acontecimento de julho de 1947. Do tempo de Zizinho e de Ademir. Tema de crônica de minha autoria e uma das minhas fixações proustianas. Dele, do Fla-Flu, lembro de tudo, só não me lembro da minha presença nas arquibancadas da Ilha do Retiro, exatamente porque presente lá não me encontrava. Tudo que sei do Fla-Flu histórico é de ouvir dizer. E isso me foi o bastante. Um Fla-Flu que não me sai da memória. Dele, lembro de tudo, até do gol de Perácio, gol que não vi, o do empate do Flamengo. Uma cabeçada sensacional que Robertinho, goleiro tricolor, não viu por onde passou. Gol de uma das figuras mitológicas da Copa do Mundo de minha infância, a da França em 1938, Perácio da mitológica ala esquerda Perácio e Patesko.Quem, daquele tempo, não se lembra?

Mas agora a história é outra. Ele me manda um recorte de um jornal cearense (ou seria revista?), coincidentemente também chamado de Esporte Ilustrado, falando de uma temporada do Náutico em gramados alencarinos. Coisa de 1945, mais de sessenta anos passados... E quer que eu conte como foi a tal temporada alvirrubra no Ceará. Vou atender à sua curiosidade. Comer a isca. Contar tudo como foi, jogo por jogo.

O Náutico fez três jogos na terra de Iracema. A estréia contra o Fortaleza, derrota por 4x2. A segunda partida, contra o Luso, mais uma derrota (1x2). A bem da verdade, jamais ouvi falar desse "luso cearense". Luso, somente a Tuna, de Belém do Pará. Três dias depois, na derradeira partida, a reabilitação, contra o Maguary, o bamba do futebol cearense daquele tempo. Uma bela vitória, até que enfim, Náutico 3x2.

O Maguary era bicampeão estadual (43-44), e segundo registra o Esporte Ilustrado de Fortaleza, tinha acabado de laurear-se campeão de um Torneio Municipal. A partir daquele ano de 45 é que o Maguary foi ficando para trás até desaparecer de vez. Hoje dele não mais se ouve falar. Não é mais sequer um retrato na parede, destino aliás seguido pelo América e pelo Gentilândia, dois outros campeões cearenses dos anos futuros que igualmente desapareceram na fumaça do tempo. Ceará Sporting, Fortaleza e Ferroviário tomaram conta do pedaço.

A temporada do Náutico foi programada para que pudesse ser exibida perante a platéia cearense, a nova ala esquerda timbu: Hermenegildo e Mitotônio. Dois ídolos do futebol de lá, titulares absolutos do Ceará Sporting. Uma maneira também de saldar os compromissos assumidos com a contratação dos dois jogadores. É bom lembrar que o Náutico vinha da perda recente do campeonato de 44, para o América, decidido há pouco, em fevereiro. Perdera o campeonato e sua maior estrela, Orlando, o futuro "Pingo de Ouro" do futebol carioca. Orlando havia trocado os Aflitos pelas Laranjeiras. Nem a final contra o América disputou. Alguma coisa tinha que ser feita pela direção alvirrubra para abrandar a ira da torcida frustrada.

A solução foi contratar de uma só vez Hermenegildo e Mitotônio. Não era pouca coisa. O ponteiro, Mitotônio foi tido pelos analistas de sua terra como "o melhor jogador que já vestiu a camisa do Ceará" (depoimento de Ivonísio Mosca, conhecido e respeitado jornalista de lá, também dirigente e treinador). Eles fizeram a estréia no Náutico antes da ida à Fortaleza, uma semana antes, jogo contra o Great-Western, abertura do campeonato pernambucaco. E logo na estréia, quatro gols de Mitotônio. Vitória do Náutico, 4x1. Era a reapresentação do time de Rosa e Silva depois da perda do campeonato para o América.

O que mais chamava a atenção de Hermenegildo e Mitotônio, ao menos para mim, menino com pouco mais de dez anos, eram os nomes dos dois. Nomes bizarros. Pouco comuns para jogador de futebol. O futebol de tantos Pedrinhos, Sidinhos, Zezinhos e Rubinhos, vinha agora de Hermenegildo e Mitotônio... Mas no Ceará Sporting não era só a ala esquerda que chamava a atenção. Quando em dezembro de 1942, a seleção estadual esteve no Recife, para decidir quem era o campeão do Nordeste na disputa do Campeonato Brasileiro, a linha atacante, toda ela do Ceará, era um desfile refinado de esquisitices: Jombrega, Idalino, França, Hermenegildo e Mitotônio. Isso contudo não impediu de a seleção da terra de José de Alencar ser derrotada (Pernambuco 3x2) e ser devidamente eliminada do certame nacional daquele ano.

Na volta do Ceará, o Náutico perdeu um jogo para o Sport, lembra Valdir, naturalmente consultando o enciclopedista Carlos Celso. Mas cuidou de imediato de ganhar o campeonato. E acabou conseguindo, em cima do América, o mesmo América de Leça, Pedrinho, Capuco e Julinho que lhe tinha roubado o título do ano anterior. Estava quitada a conta recente com o América, na época dono de mais títulos que o Náutico (6x3 no confronto direto). Logo, logo essa outra conta, como tantas outras que vinham do tempo do amadorismo, estaria também zerada.

No domingo da conquista do título, dia 9 de dezembro, na Ilha do Retiro, jogo que fechava o segundo turno, Náutico 2x0 América, os gols foram de Genival e Luiz, na ocasião os titulares da ala esquerda. Não mais Hermenegildo nem Mitotônio, a ala meio titular, meio reserva, naquele distante 1945. Seis meses depois da estréia, acabara-se como por encanto o feitiço dos dois cearenses de nomes esquisitos e de muitos gols dos primeiros jogos. Motivo da ida do Náutico ao Ceará. Coisa que acontece no mundo, por isso mesmo dito encantado, do futebol.

LEGENDAS

1. O Náutico em Fortaleza, maio de 1945. Ao lado do treinador uruguaio Aurélio Munt, os jogadores que seriam campeões pernambucanos no final do ano. Na fila de baixo, agachados, a ala esquerda cearense Hermenegildo e Mitotônio, recém-contratada.

2. O time do Ceará Sporting, bicampeão estadual (42-43). Agachados, os atacantes de nomes esquisitos: Jombrega, Idalino, França, Hermenegildo e Mitotônio. A ala esquerda seria contratada pelo Náutico para a jornada vitoriosa de 1945.