10 de nov. de 2025




 

​⚓️ A Trajetória de Lenivaldo Aragão: Da Marinha à Caneta Ética

​ Roberto Vieira


​A história de Lenivaldo Aragão é um testemunho da paixão que molda uma carreira. Nascido em 10 de novembro de 1939, este ícone do jornalismo esportivo pernambucano, filho de Abner Aragão e Donina Moraes Aragão, começou sua jornada longe das redações.

​Vindo de Santa Cruz do Capibaribe e com passagem por Caruaru e Limoeiro, Lenivaldo alimentava desde cedo a ideia de trabalhar com comunicação. Contudo, foi a paixão pela Marinha que o levou, em 1957, para a Escola de Aprendizes Marinheiros. Dos cinquenta alunos de sua turma, ele era o número nove por ordem de classificação. Essa promissora carreira, porém, foi interrompida por um problema de visão, forçando seu desligamento.

De volta a Recife, o caminho natural de Lenivaldo o reconduziu ao seu interesse inicial: o rádio. Ele começou a ajudar no departamento esportivo da Rádio Clube de Pernambuco, sob a direção de Edécio Lopes, um colega recém-chegado de Limoeiro. Lenivaldo, que já colaborava com jornais do interior e enviava notícias sobre o Ipiranga (time de amadores), estabeleceu-se na rádio, cujo telefone famoso era o 2222.

​O salto para a imprensa escrita veio com a ascensão profissional. Contratado por Cléo Tavares (ou Cléo), ele conseguiu a façanha de ganhar dois salários quando Fernando Chateaubriand assumiu a superintendência local dos Associados e Cléo o levou para o Diário de Pernambuco (DP) como repórter. Essa dupla jornada (Rádio Clube e DP) durou até 1966.

​A morte de Cléo Tavares marcou uma reorganização: Adonias Moura assumiu o jornal e Luiz Cavalcante ficou com a rádio. Nesse período, a rádio ganhou reforços como Lula trouxe Vicente Lemos, Antônio Menezes e Wagner Mendes.

​O ponto de inflexão de sua trajetória veio em 1966, quando Hilton Mota, o novo superintendente, determinou que ninguém poderia ter dois empregos na empresa. Lenivaldo teve que escolher. Ele optou pelo jornal, apesar de não apostar em seu futuro como locutor. A decisão consolidou sua carreira no jornalismo impresso, que se estenderia até 1976.

​Ao longo desse tempo, Lenivaldo também atuou na imprensa nacional. Desde 1972, ele foi correspondente freelancer da Revista Placar. Em 1976, quando saiu do DP (após catorze anos) para aceitar a proposta da Editora Abril de criar uma edição regional da Placar, com sede no Recife, cobrindo da Bahia ao Maranhão. No entanto, uma crise econômica global impediu o projeto de avançar, mas ele continuou com a Placar, saindo apenas em 1986, quando foi contratado pelo Jornal do Commercio.

​Em retrospecto, Lenivaldo Aragão, o "grande contador de histórias" que prometeu parar "só quando estiver debaixo de sete palmos", fez do ofício uma profissão de . Seu legado é a ética inegociável e a qualidade jornalística que hoje celebramos.



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