⚓️ A Trajetória de Lenivaldo Aragão: Da Marinha à Caneta Ética
Roberto Vieira
A história de Lenivaldo Aragão é um testemunho da paixão que molda uma carreira. Nascido em 10 de novembro de 1939, este ícone do jornalismo esportivo pernambucano, filho de Abner Aragão e Donina Moraes Aragão, começou sua jornada longe das redações.
Vindo de Santa Cruz do Capibaribe e com passagem por Caruaru e Limoeiro, Lenivaldo alimentava desde cedo a ideia de trabalhar com comunicação. Contudo, foi a paixão pela Marinha que o levou, em 1957, para a Escola de Aprendizes Marinheiros. Dos cinquenta alunos de sua turma, ele era o número nove por ordem de classificação. Essa promissora carreira, porém, foi interrompida por um problema de visão, forçando seu desligamento.
De volta a Recife, o caminho natural de Lenivaldo o reconduziu ao seu interesse inicial: o rádio. Ele começou a ajudar no departamento esportivo da Rádio Clube de Pernambuco, sob a direção de Edécio Lopes, um colega recém-chegado de Limoeiro. Lenivaldo, que já colaborava com jornais do interior e enviava notícias sobre o Ipiranga (time de amadores), estabeleceu-se na rádio, cujo telefone famoso era o 2222.
O salto para a imprensa escrita veio com a ascensão profissional. Contratado por Cléo Tavares (ou Cléo), ele conseguiu a façanha de ganhar dois salários quando Fernando Chateaubriand assumiu a superintendência local dos Associados e Cléo o levou para o Diário de Pernambuco (DP) como repórter. Essa dupla jornada (Rádio Clube e DP) durou até 1966.
A morte de Cléo Tavares marcou uma reorganização: Adonias Moura assumiu o jornal e Luiz Cavalcante ficou com a rádio. Nesse período, a rádio ganhou reforços como Lula trouxe Vicente Lemos, Antônio Menezes e Wagner Mendes.
O ponto de inflexão de sua trajetória veio em 1966, quando Hilton Mota, o novo superintendente, determinou que ninguém poderia ter dois empregos na empresa. Lenivaldo teve que escolher. Ele optou pelo jornal, apesar de não apostar em seu futuro como locutor. A decisão consolidou sua carreira no jornalismo impresso, que se estenderia até 1976.
Ao longo desse tempo, Lenivaldo também atuou na imprensa nacional. Desde 1972, ele foi correspondente freelancer da Revista Placar. Em 1976, quando saiu do DP (após catorze anos) para aceitar a proposta da Editora Abril de criar uma edição regional da Placar, com sede no Recife, cobrindo da Bahia ao Maranhão. No entanto, uma crise econômica global impediu o projeto de avançar, mas ele continuou com a Placar, saindo apenas em 1986, quando foi contratado pelo Jornal do Commercio.
Em retrospecto, Lenivaldo Aragão, o "grande contador de histórias" que prometeu parar "só quando estiver debaixo de sete palmos", fez do ofício uma profissão de fé. Seu legado é a ética inegociável e a qualidade jornalística que hoje celebramos.
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