20 de nov. de 2025




 

🐔 Galo, Master e o Banorte

ROBERTO VIEIRA

A relação dos bancos com o futebol mudou drasticamente, e a comparação entre o Banorte e o Banco Master é a prova. Ela revela a evolução da fragilidade financeira: do patrocínio de massa para o investimento estratégico e arriscado.

1. A Estratégia de Fachada do Banorte

​Nas décadas de 80 e 90, o Banorte adotou a publicidade ostensiva. O banco buscava a visibilidade máxima e a sensação de solidez ao patrocinar as camisas dos grandes clubes pernambucanos. O patrocínio era uma fachada para ocultar a crise de liquidez e os problemas sistêmicos, como a crise do FCVS. O Banorte usava o futebol como um outdoor gigante, tentando mascarar uma gestão temerária com a alegria da vitória.

2. A Estratégia de Ativo do Banco Master

​Em contraste, o Banco Master (e seus controladores) focou no investimento direto e influência. Não era patrocinador de camisa, mas injetava capital via sócio na SAF do Atlético Mineiro e negociava o naming rights da Cidade do Galo. Isso se alinha ao perfil de Vorcaro: tratar o futebol como um ativo de alto risco e retorno, focado em ganho potencial e influência, e não no marketing de massa.

3. Do Master ao Castor: A Propaganda do Espetáculo

​Essa busca por influência nos bastidores liga o Master à lógica de Castor de Andrade.

Enquanto o Banorte gastava fortunas no gramado para a massa ver, Castor usava o samba e Vorcaro usava Camarotes de R$ 40 milhões na Sapucaí para poucos verem. Ambos desviavam fortunas para o espetáculo (seja a contravenção ou o risco financeiro) como um seguro social e político, ostentando sucesso para dar credibilidade e blindagem.

🚨 Conexão Final: A Guerra Intelectual

A tese central do livro Como Vencer a Guerra do Rio, de Roberto Vieira, é que a derrota do Estado não é militar, mas intelectual. O crime e a fraude evoluíram para uma organização paramilitar e econômica que usa a propaganda como arma.

Castor e Master são exemplos de como a ostentação (seja no Sambódromo ou na Faria Lima) é usada para neutralizar o Estado.



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